Retorno presencial enfrenta resistência devido a deslocamentos e mudanças na rotina
Um levantamento da WeWork em parceria com a Offerwise, divulgado em 6 de maio de 2026, mostra que a maior parte dos brasileiros já trabalha presencialmente, mas que essa volta ao escritório tem encontrado forte resistência por parte dos profissionais.
De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados exercem suas funções de forma presencial e, entre esses, 79% afirmam que essa condição é uma exigência do empregador. Quando a escolha fica a cargo do trabalhador, apenas 42% optariam por trabalhar exclusivamente no escritório; os demais preferem modelos híbridos ou totalmente remotos. A amostra incluiu 2,5 mil profissionais de todo o país, com predominância de millennials (37%), geração Z (32%) e geração X (26%).
Os efeitos dessa transição também aparecem no mercado imobiliário e nas ofertas de emprego. Em São Paulo, a taxa de vacância de imóveis corporativos recuou para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, menor nível em 14 anos, segundo a consultoria JLL. Plataformas de recrutamento, como a Gupy, registram queda nas vagas totalmente remotas e avanço das oportunidades presenciais e híbridas.
Entre as empresas, há motivações para o retorno. Pesquisa da Mercer Brasil aponta que 76% dos gestores têm insegurança sobre a produtividade no trabalho remoto e relatam problemas como excesso de reuniões (66%) e dificuldades na gestão e manutenção da cultura organizacional.
Para os trabalhadores, o custo do presencial está relacionado principalmente ao deslocamento. Segundo o estudo da WeWork, 65% indicam o tempo de trajeto como a principal desvantagem; a maioria gasta entre 30 minutos e 1 hora por dia no percurso. Esse deslocamento também eleva gastos: 53% relatam aumento de despesas com transporte, alimentação e outros custos associados ao trabalho presencial. No ambiente do escritório, 57% reclamam de barulho e 53% apontam falta de espaços para descanso.
A perda de flexibilidade tem impacto sobre engajamento e saúde mental: 44% dizem que a retirada da flexibilidade causa desmotivação e 38% relatam aumento da ansiedade. A pesquisa mostra ainda que 93% consideram essencial equilibrar vida pessoal e trabalho e 64% afirmam que trocariam de emprego por melhor qualidade de vida, mesmo com salário inferior.
Especialistas ouvidos no levantamento destacam que o escritório precisa oferecer experiências que compensem o deslocamento. Metade dos profissionais considera itens básicos, como café, lanches e espaços amplos, essenciais; quando há investimento em infraestrutura, o nível de satisfação pode atingir 96%. Estratégias adotadas pelas empresas incluem flexibilização de horários, decisões por equipe, locais de trabalho alternativos e escritórios em complexos multiuso que reúnem serviços como comércio, restaurantes e academias — modelo presente em cerca de 70% dos novos projetos corporativos, segundo o estudo.
O relatório também indica que 82% aceitariam trabalhar mais dias no escritório em troca de aumento salarial.
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