29 C
Uberlândia
quarta-feira, agosto 5, 2026

ONU alerta para nova alta dos preços dos alimentos até o fim de 2026

Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), afirmou que o mundo pode enfrentar uma nova onda de alta nos preços dos alimentos ainda neste ano, com reflexos mais intensos no fim de 2026 e ao longo de 2027. Em entrevista à Reuters, Torero atribuiu o risco a uma combinação de fatores internacionais e climáticos.

Segundo o economista, a transmissão do aumento das commodities agrícolas para o preço final ao consumidor costuma levar entre três e seis meses. Torero disse acreditar que os preços das commodities começarão a subir agora e que os alimentos devem ficar mais caros até o fim do ano, com elevação ainda maior em 2027.

Entre as causas apontadas estão a guerra entre Irã e Israel, o conflito na Ucrânia e os efeitos do El Niño sobre a produção agrícola. A alta do petróleo, a redução da oferta de fertilizantes vindos da região do Golfo, a escassez de diesel em algumas regiões e eventos climáticos extremos também elevam os custos de produção, o que tende a refletir nos preços pagos pelos consumidores.

Embora produtos como trigo, milho e arroz já tenham apresentado aumento nos últimos meses, Torero destacou que esses preços ainda incorporam, em parte, as boas safras recentes e não contemplam totalmente as dificuldades previstas para o próximo ciclo agrícola.

O estreito de Ormuz foi citado como fator de preocupação para o setor agrícola, já que impacta o escoamento de petróleo e gás natural. Torero ressaltou que o petróleo é usado em bombeamento de água, embalagens, processamento e transporte, enquanto o gás natural é essencial para a fabricação de fertilizantes. Ao mesmo tempo, ataques na Ucrânia à infraestrutura russa de petróleo e gás reduziram a oferta exportável de diesel e gás natural.

De acordo com a American Farm Bureau Federation, nos Estados Unidos produtores das nove principais culturas agrícolas podem registrar perdas de US$ 32 bilhões (R$ 164,48 bilhões) em 2027 sem apoio do governo federal, com todas as culturas analisadas operando abaixo do ponto de equilíbrio financeiro.

Impactos na produção já surgem em diferentes regiões: nos três primeiros meses da guerra envolvendo o Irã houve queda no plantio de trigo e milho, enquanto parte dos agricultores americanos migrou para a soja, que exige menos fertilizantes. Na Austrália, o governo prevê uma redução de 21% na produção das culturas de inverno, atribuída em parte ao aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes e à incerteza sobre a disponibilidade desses insumos.

O El Niño, cuja ocorrência neste ano é prevista como especialmente intensa, também pressiona a oferta global. O fenômeno altera padrões de chuva, reduz produtividade agrícola e pode elevar preços das commodities, aumentando o risco de insegurança alimentar. Na Índia, a temporada de monções começou com atraso e previsões indicam chuvas abaixo da média em agosto, o que pode comprometer a produção de arroz e pressionar ainda mais os preços globais.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também