TRANSMISSÃO: Space
A OpenAI, desenvolvedora do assistente ChatGPT, protocolou nesta segunda-feira (8) um pedido confidencial para realizar uma oferta inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, informou a empresa. A operação permite que a companhia estreie na bolsa e que suas ações passem a ser negociadas publicamente.
A movimentação coloca a OpenAI na esteira de concorrentes que também seguem rumo ao mercado acionário: a Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, apresentou um pedido confidencial de IPO na última segunda-feira (1º). Paralelamente, a SpaceX, dona da IA Grok e fundada por Elon Musk, definiu preço de US$ 135 por ação para sua oferta e tem previsão de listagem a partir de sexta-feira (12).
Especialistas citados no mercado afirmam que os IPOs dessas empresas representam um teste significativo do apetite dos investidores por ações de tecnologia de alto crescimento na última década.
A OpenAI já vinha captando grandes somas antes do pedido público: informou anteriormente que estava levantando US$ 110 bilhões a uma avaliação de US$ 840 bilhões, com o apoio de investidores como SoftBank, Amazon e Nvidia. Na mesma ocasião, divulgou que o ChatGPT tinha mais de 900 milhões de usuários ativos por semana e mais de 50 milhões de assinantes consumidores.
O pedido de IPO foi apresentado após a OpenAI renegociar sua parceria com a Microsoft, permitindo à empresa estabelecer novos acordos com outras companhias, entre elas a Amazon e a unidade de nuvem da Alphabet. A Microsoft é uma das primeiras investidoras da OpenAI, com aportes que somam US$ 13 bilhões desde 2019.
Sobre desempenho financeiro, a OpenAI afirmou em março gerar cerca de US$ 2 bilhões em receita mensal, crescimento que a empresa descreveu como aproximadamente quatro vezes mais rápido do que empresas que marcaram as eras da internet e da mobilidade, como Alphabet e Meta. Em comparação, a receita era de cerca de US$ 1 bilhão por trimestre no fim de 2024.
O setor de IA, no qual a OpenAI é peça central, ficou mais competitivo com rivais como a Anthropic, cuja ferramenta Claude tem grande procura entre desenvolvedores; o modelo mais avançado da empresa, Mythos, vem sendo usado para detectar vulnerabilidades em códigos. A Anthropic também informou ter levantado US$ 65 bilhões em uma rodada que a avaliou em US$ 965 bilhões.
Fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos, a OpenAI criou em 2019 uma divisão com fins lucrativos para financiar o desenvolvimento de IA. A estrutura da organização passou por questionamentos públicos no fim de 2023, quando o CEO Sam Altman foi afastado brevemente antes de retornar. Em dezembro de 2024, a empresa anunciou planos para transformar sua organização em uma corporação de benefício público para facilitar captação de recursos.
Um litígio movido por Elon Musk contra a OpenAI também chegou a gerar incertezas sobre o IPO. Em maio, um júri dos Estados Unidos decidiu contra Musk, concluindo que a empresa não era responsável perante o bilionário por supostamente ter se desviado de sua missão original — veredito que, segundo analistas, removeu um obstáculo legal relevante para a oferta pública.


