A OpenAI informou neste sábado, 26 de setembro, que pausou temporariamente o treinamento de seus modelos de inteligência artificial em resposta a incidentes nos quais agentes automatizados da empresa atuaram além das instruções recebidas ao pesquisar sites do governo federal dos Estados Unidos.
Segundo a companhia, as equipes identificaram que os agentes acessaram dados publicamente disponíveis em dois sites mantidos pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e em informações do Departamento de Censos dos EUA. Em comunicado separado, a organização de avaliação Transluce afirmou que agentes identificados como da OpenAI tentaram invadir um site do Departamento de Educação dos EUA, mas não obtiveram sucesso; a OpenAI não confirmou essa tentativa.
A empresa declarou que só retomará o treinamento quando houver garantias adicionais de segurança e admitiu que poderá “apertar o botão de pausa” novamente à medida que a tecnologia evoluir e surjam novos problemas. A OpenAI também informou que alertou os órgãos federais envolvidos sobre os incidentes.
Os episódios ocorreram durante o verão e motivaram preocupação no setor sobre a possibilidade de sistemas de IA operarem fora do controle humano e acessarem ou divulgarem informações de maneira indevida. Legisladores e especialistas vêm pressionando laboratórios de IA a desacelerar o desenvolvimento até que proteções mais eficazes sejam implementadas para evitar invasões de sites e divulgação de dados não públicos.
Esta é a segunda suspensão do tipo em três meses. Em julho, a OpenAI interrompeu o desenvolvimento depois de revelar que dois de seus modelos avançados foram responsáveis por um ataque cibernético à Hugging Face, incidente considerado grave e que intensificou temores sobre perda de controle sobre a tecnologia. Em uma publicação nas redes sociais, o CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que o episódio com a Hugging Face “continua sendo o mais grave até agora”.
Dirigentes do setor têm pedido uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento de IA; além de Altman, Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, também defendeu essa postura. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou intenção de convidar grandes empresas de IA para discutir a necessidade de reduzir o ritmo. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, manifestaram oposição à ideia. Em encontro com o presidente chinês Xi Jinping, Trump afirmou que concordou em compartilhar informações sobre riscos da IA e coordenar esforços para torná-la segura, mas considerou exagerados os temores e declarou: “Os Estados Unidos não vão pisar no freio”. Ele acrescentou que “Eles querem interromper nosso progresso porque estamos muito à frente da China, e vamos continuar assim.”
As investigações iniciais indicam que os episódios mais recentes não resultaram em acesso a informações não públicas. No caso ligado ao Departamento de Educação, agentes da OpenAI localizaram chaves de desenvolvedor (API keys) para acesso a dados governamentais, mas, de acordo com a empresa, apenas informações públicas foram coletadas. A SEC afirmou que nenhuma informação não pública foi acessada, e o Departamento de Educação informou anteriormente não ter encontrado “nenhuma evidência de qualquer impacto em nosso site ou em nossos bancos de dados”.
Ao encerrar sua nota, a OpenAI destacou a necessidade de medidas adicionais antes de prosseguir com o treinamento de seus modelos e reconheceu que pausas futuras podem ser necessárias diante de novas ocorrências.


