Bloqueio de chamadas pela Vivo provoca reclamações de outras operadoras na Anatel
Um sistema de bloqueio de chamadas da Vivo, o “Vivo Anti-spam”, passou a ser alvo de questionamentos de ao menos sete empresas junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que avalia as reclamações para buscar equilíbrio setorial e proteção ao consumidor. A controvérsia envolve a defesa da operadora de que o serviço protege clientes contra chamadas massivas e fraudulentas e as alegações de concorrentes de que o filtro impede tentativas legítimas de contato.
A Vivo informou que o serviço, oferecido automaticamente em novas linhas, identifica e bloqueia ligações massivas e fraudulentas antes de chegar ao usuário. Segundo a operadora, a ferramenta está disponível desde novembro de 2024 e passou por fase experimental com cerca de 700 mil usuários antes de ser ampliada para toda a base de números ativos. A companhia explicou que o mecanismo atua em duas etapas: verifica se a chamada foi autenticada e analisa o perfil do número de origem.
Empresas como TIM, Adyl Telecom, 3corp Technology, Net2Phone Brasil, Agera Telecomunicações, Ateky Internet e Ágil Telecom apresentaram reclamações formais na Anatel. A TIM relatou que usuários enfrentaram restrições indevidas e se recusou a participar de reunião de conciliação; a empresa disse ao g1 que não comentaria o assunto.
A Adyl Telecom afirmou que, desde o início de junho, mais de 16 mil ligações foram interrompidas pelo anti-spam, com impacto em hospitais e órgãos públicos. A 3corp, que presta serviços de telefonia para a prefeitura de Araçatuba, afirmou que o sistema bloqueou mais de 800 números do município, afetando serviços em saúde, segurança e educação. Segundo a 3corp, a Vivo inicialmente não ofereceu solução viável; em julho, porém, a empresa informou ter liberado os números após tratativas.
A Adyl e a Agera relataram desconhecimento sobre os critérios de bloqueio e disseram que, após contato com o canal de atacado da Vivo, conseguiram desbloquear a maior parte dos números afetados. Agera classificou o anti-spam como uma ferramenta de “degradação artificial de tráfego”. A Net2Phone Brasil aguarda reunião de conciliação mediada pela Anatel. Ateky e Ágil também afirmaram que suas chamadas legítimas foram impedidas.
Algumas das empresas reclamantes dizem que até números autenticados pelo sistema Origem Verificada — que utiliza a tecnologia internacional STIR/SHAKEN para confirmar no momento da ligação se o número consta em cadastro das operadoras — chegaram a ser bloqueados.
Na Anatel, foi aberto espaço para defesa da Vivo, e a agência informa que tem aprofundado a análise dos materiais apresentados pelas partes, com o objetivo de oferecer critérios coerentes e replicáveis para diferentes casos. O consultor Eduardo Tude, presidente da Teleco, afirmou que sistemas anti-spam, assim como filtros de e-mail, não são perfeitos e podem eventualmente bloquear chamadas legítimas, e que caberá à Anatel definir mecanismos para evitar erros.
A Vivo declarou que não bloqueia ligações que sigam as regras do próprio anti-spam e do STIR/SHAKEN, afirmando que o foco são empresas que realizam chamadas massivas sem identificação. A operadora informou ainda que donos de números afetados podem solicitar análise pelo site da Vivo e que clientes que não desejarem receber o serviço podem desativá-lo no aplicativo da empresa.
Fonte: G1


