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sexta-feira, outubro 30, 2026

Oposição precisa de partidos árabes para tentar afastar Netanyahu, mostram resultados oficiais em Israel

A Comissão Eleitoral Central de Israel divulgou em 30 de junho os resultados finais do Knesset, o Parlamento de 120 cadeiras, sem apontar um vencedor capaz de formar governo. Para governar são necessários pelo menos 61 parlamentares, um número que a oposição só alcançaria com o apoio de partidos árabes representando palestinos-israelenses.

O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, recebeu 20% dos votos e ficou com 27 cadeiras, o maior número individual entre as siglas. A coalizão liderada por Netanyahu soma 53 assentos, oito a menos da maioria necessária.

Os partidos de oposição totalizaram 67 cadeiras. Desse total, 19 mandatos pertencem ao Raam e à Lista Conjunta, formadas por palestinos-israelenses, grupo que corresponde a cerca de 21% da população do país. As legendas de judeus israelenses que se posicionaram contra Netanyahu conquistaram 48 cadeiras.

Entre as bancadas opositoras mais votadas estão o Yashar, do ex-chefe do Estado‑Maior Gadi Eisenkot, com 21 cadeiras, e o B’Yachad, com 12. Ambas vinham declarando que não fariam parte de um governo que incluísse os partidos palestinos-israelenses, o que gerou o impasse para a formação de maioria.

Enquanto não houver acordo parlamentar, Netanyahu permanece no cargo de primeiro-ministro. O pesquisador Shajar Goldwaser, do Grupo de Estudos sobre Conflitos (GECI) da PUC‑SP, afirmou à Agência Brasil que a oposição fez promessas contraditórias — não governar com Netanyahu e também não governar com os partidos árabes — e que será preciso descumprir alguma dessas promessas para superar o impasse.

Goldwaser, que cursa mestrado no Instituto San Tiago Dantas, avaliou que preconceitos entre partidos de judeus israelenses têm dificultado negociações com os palestinos dentro de Israel, citando a resistência a cargos ministeriais ocupados por representantes palestinos como um dos entraves.

A emissora N12 News informou que o Yisrael Beytenu, liderado por Avigdor Liberman e vencedor de sete cadeiras, estaria propondo um governo de unidade nacional com Netanyahu justamente para impedir que a oposição dependa dos partidos palestinos-israelenses. Caso Liberman se una ao premiê, restaria apenas uma cadeira para que Netanyahu alcance a maioria.

Netanyahu acusou, sem apresentar provas, Turquia e Catar de influenciarem o voto dos palestinos-israelenses, cuja participação ultrapassou 80%, a maior já registrada. O primeiro‑ministro qualificou a eleição como uma “fraude” e repetiu que é “proibido formar governo com eles”, referindo‑se às siglas árabes.

Gadi Eisenkot acusou o Likud e Netanyahu de promoverem uma campanha para deslegitimar o resultado eleitoral e manteve a proposta de criar uma comissão para investigar o ataque do Hamas em 7 de outubro, cuja condução tem sido alvo de críticas à gestão de segurança do premiê.

Segundo Goldwaser, a imprensa israelense também especula sobre a possibilidade de Netanyahu tentar retomar um conflito contra o Irã para galvanizar apoio e formar um governo de unidade — estratégia já utilizada por ele no passado, segundo o pesquisador.

O pleito ocorreu pela primeira vez desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou vilas no sul de Israel, provocando a morte de 1,2 mil pessoas e a captura de cerca de 200 reféns. Israel tem 7,3 milhões de eleitores.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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