Brasil fica atrás de Chile, Uruguai e Costa Rica nas quatro competências do Pisa
O Brasil continuou entre os piores colocados no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) na edição de 2025, cujos resultados foram divulgados em 8 de setembro de 2026. A prova, coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é aplicada a estudantes de 15 anos e abrange 91 países e economias.
Na média, o país obteve 409 pontos em ciências, 408 em leitura, 377 em matemática e 406 na nova competência de resolução de problemas computacionais. Entre os países latino-americanos analisados, Chile, Uruguai e Costa Rica alcançaram desempenhos superiores ao do Brasil nas quatro áreas: o Chile teve 442 pontos em ciências, 436 em leitura, 403 em matemática e 466 em resolução de problemas computacionais; o Uruguai somou 445, 423, 405 e 462, respectivamente; e a Costa Rica registrou 424, 416, 387 e 452.
Considerando os 13 países da região que participaram, o Brasil ficou atrás de cinco países em ciências (Chile, Uruguai, Costa Rica, México e Colômbia); de seis em leitura (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); de seis em matemática (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia e Peru); e de sete em resolução de problemas computacionais (Chile, Uruguai, Costa Rica, México, Colômbia, Peru e Equador). A participação dos países no Pisa é voluntária e variou entre edições: por exemplo, o Panamá participou em 2022, mas não em 2025, e o Equador participou pela primeira vez em 2025, o que dificulta comparações regionais diretas entre edições.
Comparação do desempenho do Brasil entre 2022 e 2025
Em comparação direta com a edição de 2022, o Brasil apresentou alta em ciências, de 403 para 409 pontos, enquanto caiu em leitura de 410 para 408 e em matemática de 379 para 377. A competência de resolução de problemas computacionais não foi avaliada em 2022, impedindo comparação para essa área.
A melhor colocação do Brasil entre os 91 participantes foi em leitura, na 52ª posição; a pior foi em resolução de problemas computacionais, na 69ª posição. Os melhores resultados globais do Pisa permaneceram concentrados no Leste Asiático: China e Cingapura lideraram ciências, leitura e matemática, e, ao incluir resolução de problemas computacionais, destaque também para Macau e Japão.
Metodologia e participação
O Pisa é realizado a cada três anos por meio de uma prova padronizada aplicada a estudantes de 15 anos. Na edição de 2025, cerca de 760 mil estudantes participaram, representando 33 milhões de jovens nos 91 países e economias. Foram avaliadas quatro competências — ciências, leitura, matemática e resolução de problemas computacionais — com resultados apresentados por pontuação média em cada área e classificação dos estudantes em níveis de proficiência.
Uso de inteligência artificial entre estudantes
A pesquisa do Pisa também investigou o uso de chatbots de inteligência artificial por alunos para atividades escolares. Em 2025, 86% dos estudantes disseram ter utilizado ao menos uma vez ferramentas do tipo. No Brasil, 48% relataram uso semanal de chatbots para aprender, contra 46% na média dos participantes; 40% os usaram para pesquisas preliminares, ante 31% da média; 31% para resumir textos (30% na média); e 27% para rascunhos de textos, abaixo da média de 29%.
O relatório aponta que, em termos gerais, estudantes que não usavam chatbots para tarefas escolares apresentavam notas mais altas que os que usavam. Contudo, entre os que recorriam à IA para “ajudar a aprender”, o uso moderado esteve associado a desempenho ligeiramente superior ao de uso raro ou intensivo. Para tarefas específicas, como resumir textos e fazer pesquisas preliminares, usuários moderados também tiveram resultados melhores que usuários muito pouco frequentes ou intensivos. A OCDE ressalta que esses achados não permitem concluir causalidade entre uso de IA e desempenho.
O Pisa identificou ainda uma diferença de acesso: estudantes que não utilizavam IA para trabalhos escolares tendiam a ter origem socioeconômica mais desfavorecida, enquanto os usuários mais frequentes vinham de contextos mais favorecidos. Em relação à ação das escolas, cerca de seis em cada dez estudantes, em média, relataram ter recebido, nas aulas, tarefas para avaliar a qualidade de informações produzidas por IA.
Fonte: G1


