Transmissão: Record
O Paraguai tem registrado crescimento econômico acima da média regional nos últimos anos, sustentado por setores como agricultura, energia e investimento estrangeiro. Entre 2023 e 2025, o país cresceu em média 5,5% ao ano, segundo levantamento citado, e o Banco Mundial estima que cerca de 300 mil paraguaios deixaram a pobreza nos últimos dois anos. Em 2025, o desemprego atingiu o nível mais baixo em 13 anos.
Especialistas apontam três pilares para esse avanço: um sistema tributário competitivo, disponibilidade de energia renovável barata e uma agropecuária dinâmica. A localização central na América do Sul, investimentos em infraestrutura e o aumento do investimento estrangeiro direto também foram destacados como fatores decisivos.
Desempenho recente e perspectivas
O produto interno bruto (PIB) do Paraguai cresceu 6,6% em 2025, segundo o Banco Central do país. Contudo, projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) prevêem desaceleração para cerca de 3,7% em 2026, indicando uma transição de crescimento excepcional para uma fase mais estável, conforme análise da Verisk Maplecroft representada por Mariano Machado.
Nos últimos três anos foram criados mais de 260 mil empregos em uma força de trabalho aproximada de 3,4 milhões, segundo Humberto A. Colman, da fundação Dende. Ainda assim, o emprego informal permanece dominante, com cerca de 60% da população ocupada sem formalização, e a pobreza rural continua elevada — em torno de 40% no campo versus 15% nas áreas urbanas.
Cinco fatores que impulsionam o crescimento
1. Energia barata: O Paraguai é um grande exportador de eletricidade limpa per capita, graças às represas de Itaipu e Yacyretá. A energia hidrelétrica tem atraído projetos como centros de processamento de dados e iniciativas ligadas à inteligência artificial, com interesse de Estados Unidos, Taiwan e setor privado. O país também avança na produção de biocombustíveis.
2. Agropecuária e exportações: O setor responde por quase dois terços da atividade econômica. A soja, a pecuária (incluindo carne bovina e suína) e a indústria florestal sustentam as exportações. Após uma seca severa em 2022, a produção voltou a se recuperar a partir de 2023, elevando as receitas do setor.
3. Investimento estrangeiro direto (IED): O IED alcançou US$ 931 milhões em 2024, um crescimento de 15% sobre 2023. Projetos como a fábrica de celulose da Paracel, com mais de US$ 4 bilhões previstos, incluem construção de porto fluvial e expansão viária, gerando dezenas de milhares de empregos indiretos.
4. Baixos impostos: O Paraguai mantém alíquotas fixas de 10% para imposto de renda, IVA e tributos corporativos, e uma pressão fiscal de aproximadamente 14% do PIB — a segunda menor da América Latina. Esse ambiente tributário tem atraído investidores, embora limite a capacidade fiscal do Estado.
5. Infraestrutura regional: Obras na hidrovia Paraguai–Paraná e o avanço do Corredor Bioceânico, que liga Santos a portos do norte do Chile por cerca de 3,5 mil km, têm reduzido prazos e custos logísticos das exportações. A hidrovia passou por dragagem e sinalização via parceria público-privada de US$ 500 milhões, e terminais ampliados movimentam mais de 25 milhões de toneladas por ano. A frota fluvial do país é apontada como a terceira maior do mundo.
Riscos e desafios
As agências de classificação de risco reconheceram a melhora do Paraguai: Moody’s elevou o país a grau de investimento; a S&P atribuiu rating BBB em dezembro de 2025; e a Fitch melhorou a perspectiva para positiva em outubro de 2025. Mesmo assim, especialistas alertam para a necessidade de converter a confiança em projetos financiáveis, expansão das exportações, infraestrutura e empregos de melhor qualidade.
Embora os salários reais tenham crescido mais de 5% no último ano, parte das famílias ainda não recuperou totalmente o poder de compra perdido em períodos de alta inflação dos alimentos. O coeficiente de Gini do Paraguai está em cerca de 0,45, evidenciando níveis elevados de desigualdade.
Fonte: G1


