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sexta-feira, março 6, 2026

Parlamentares da UE adiam votação sobre acordo comercial com os EUA após aumento de tarifa global por Trump

Parlamento Europeu suspende implementação do acordo após anúncio de sobretaxa dos EUA

A Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu reuniu-se de forma extraordinária nesta segunda-feira (23) para avaliar os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e o anúncio de novas tarifas pela administração americana. Os eurodeputados decidiram adiar a implementação do acordo comercial entre a União Europeia e os EUA até que haja esclarecimentos sobre as medidas anunciadas por Washington.

Transmissão: Band

Zeljana Zovko, integrante do Partido Popular Europeu (PPE), afirmou que a suspensão seguirá em vigor “enquanto a Comissão não esclarecer com os Estados Unidos as condições das novas tarifas alfandegárias” anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A Comissão de Comércio Internacional deveria deliberar na terça-feira sobre a aplicação do acordo, que depois seguiria para votação em sessão plenária prevista para o próximo mês.

O pacto, fechado em julho após intensas negociações entre Bruxelas e Washington, estabeleceu um limite de 15% para as tarifas aplicadas pelos EUA à maioria dos produtos europeus — percentual abaixo dos 30% que Trump chegou a ameaçar. Em contrapartida, a União Europeia concordou em eliminar suas próprias tarifas sobre importações americanas, medida que depende de aprovação do Parlamento Europeu.

A Comissão Europeia solicitou no domingo (22) esclarecimentos sobre as medidas que os Estados Unidos pretendem adotar após a decisão da Suprema Corte, que considerou ilegal e anulou o tarifaço imposto em abril de 2025. Em reação ao veredicto, o presidente americano anunciou inicialmente uma sobretaxa global de 10% e, 24 horas depois, elevou a alíquota para 15%, apoiando-se em uma lei de 1974 cuja aplicação, segundo veículos franceses, limita a vigência da medida a 150 dias e só permite prorrogação com aval do Congresso.

Além da UE, a China acompanha as consequências das novas tarifas e pressiona Washington a suspender as taxas “unilaterais”. Em comunicado, o ministro do Comércio chinês afirmou que o país “defenderá com firmeza seus interesses”.

Jornais franceses repercutiram a sequência de decisões: Libération classificou o episódio como “revés significativo”, Les Echos chamou a derrota de Trump de “contundente” e Le Figaro afirmou que “a confusão reina novamente sobre o comércio mundial”. O editorial do La Croix avaliou que a decisão da Suprema Corte abala o programa econômico e diplomático do presidente americano e reafirma limites ao poder presidencial; o jornal também destacou que seis dos nove juízes — três conservadores — decidiram pela ilegalidade do tarifaço.

Espera-se ainda o discurso sobre o Estado da União de Donald Trump, marcado para terça-feira, que poderá trazer novos elementos sobre a estratégia americana para o comércio internacional.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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