O preço do petróleo Brent subiu e atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, refletindo temores de que o aumento das tensões no Oriente Médio restrinja a oferta mundial. Os contratos futuros do Brent fecharam nesta sexta-feira (16) em alta de US$ 3,94, ou 3,7%, a US$ 109,86 por barril, nível mais alto desde 19 de maio. O West Texas Intermediate (WTI) também avançou, fechando a US$ 101,41 por barril, com alta de US$ 3,44, ou 3,5%, o maior patamar desde 17 de setembro.
Na semana, até o momento, o Brent registra alta acumulada de 4,9% e o WTI soma avanço de 10,4%. Segundo a consultoria Energy Aspects, consultada pela Reuters, a recuperação dos preços ocorreu após uma queda anterior, impulsionada pelo receio de que o conflito no Oriente Médio possa se intensificar e atingir infraestrutura de energia, reduzindo a oferta disponível.
Reportagens da imprensa israelense indicaram que o Irã poderia estar preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais detectarem movimentações militares incomuns. Essas informações, embora não confirmadas, aumentaram as preocupações sobre a possibilidade de novos confrontos e interrupções no fornecimento de petróleo, segundo a consultoria.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho. O porto é considerado estratégico por permitir o escoamento de petróleo por rota alternativa ao Estreito de Ormuz. A consultoria Rapidan Energy Group, também ouvida pela Reuters, informou que as primeiras informações apontavam para ausência de danos à infraestrutura de Yanbu.
Além das preocupações no Oriente Médio, a oferta de combustíveis ficou em foco devido a ataques a instalações de petróleo na Rússia. Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria russa depois que o presidente Volodymyr Zelenskiy anunciou que Kiev iria abandonar uma trégua que cobria instalações de energia — cessar-fogo que havia sido anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelenskiy criticou a disposição de Trump em negociar acordos com Moscou.
Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, a combinação das tensões no Oriente Médio com dúvidas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem incentivado compras por parte dos investidores. Em resposta às pressões sobre oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou, na quinta-feira, em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado. Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia abriu, na sexta-feira (16), uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país.
O movimento dos preços, segundo analistas citados pela Reuters, reflete a preocupação dos mercados com fatores geopolíticos que podem restringir o fluxo de petróleo e derivados, além de respostas coordenadas de agências e governos para tentar mitigar eventuais quedas de oferta.


