Brasília — A Polícia Federal identificou fortes indícios de irregularidades na transferência de R$ 7,15 bilhões em créditos da empresa Tirreno Consultoria Promotoria de Créditos e Participações para o Banco Master entre 2024 e 2025, segundo laudo cujo sigilo foi retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, responsável pelas investigações ligadas ao caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O laudo descreve padrões considerados atípicos nos registros analisados, entre os quais a repetição incomum de valores, replicação de contratos e concentração de atributos, elementos que a perícia classifica como indícios de artificialidade na formação das carteiras de crédito.
Além das inconsistências nos documentos, os peritos não encontraram evidências de que o Banco Master tenha efetivamente quitado os valores das cessões à Tirreno. Segundo o relatório, “os exames realizados não identificaram evidências de liquidação financeira efetiva das cessões mediante disponibilização dos recursos em conta corrente de livre movimentação da Tirreno”. A única conta bancária da empresa localizada no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) foi aberta em 23/05/2025 — após todas as cessões examinadas — e não apresentou movimentação financeira.
Segundo a Polícia Federal, parte dos direitos creditórios originados na Tirreno foi posteriormente repassada ao Banco Regional de Brasília (BRB). A instituição pública está no centro das investigações sobre a origem da carteira adquirida do Master. A atual gestão do BRB informou que a crise expôs um rombo de R$ 8,8 bilhões ligado a títulos que teriam sido inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, e aprovou medidas para aumento de capital no montante correspondente.
O documento pericial integra o conjunto de apurações sobre a atuação do Banco Master e as operações que envolveram a cessão e realocação de carteiras de crédito, agora analisadas pela Polícia Federal e pelo Supremo.
O laudo e os detalhes sobre as operações foram tornados públicos após a retirada do sigilo pelo ministro André Mendonça na noite de 10 de setembro, reforçando o prosseguimento das investigações sobre possíveis fraudes e irregularidades nas transações entre a Tirreno, o Master e o BRB.
Fonte: G1


