A Polícia Federal realizou na manhã desta segunda-feira (28) buscas em quatro imóveis vinculados ao deputado federal Antônio Leocadio dos Santos, conhecido como Antônio Doido (MDB-PA), e encontrou um celular e duas sacolas com dinheiro ocultos no sistema de esgoto de um dos locais.
De acordo com a corporação, além dos objetos localizados no esgoto, os agentes apreenderam diversos aparelhos eletrônicos, documentos, três veículos e R$ 87.475 em espécie. Parte do montante estava acondicionada em envelopes com nomes impressos ou identificados e foram achadas listas e registros de assinaturas que, segundo a PF, podem indicar repasses ou recebimentos.
Os mandados de busca e apreensão cumpridos na operação foram expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). O material recolhido seguirá para perícia, com o objetivo de apurar a origem e o destino dos recursos e verificar eventual relação com práticas criminosas, incluindo possíveis ilícitos eleitorais em razão da candidatura do parlamentar à reeleição.
Durante a ação, outra pessoa foi detida em flagrante acusada de corrupção eleitoral, conforme informado pela Polícia Federal. Não há, até o momento, detalhes públicos sobre a identidade do preso ou sobre se o deputado sofreu alguma medida de prisão cautelar nesta operação.
Quem é Antônio Doido
Aos 50 anos, Antônio Leocadio dos Santos cumpre o primeiro mandato como deputado federal pelo Pará. Nascido na Bahia, iniciou a trajetória pública em 2016 ao ser eleito prefeito de São Miguel do Guamá (PA), então filiado ao PSDB. Em 2020 concorreu à reeleição pela Prefeitura pelo PL, mas foi derrotado por pouco mais de mil votos.
Nas eleições de 2022, Antônio Doido foi eleito deputado federal com 126.535 votos. Em 2024, durante o mandato, disputou a Prefeitura de Ananindeua, chegando ao segundo lugar.
Antecedentes de investigações
Esta não é a primeira ação da Polícia Federal envolvendo o parlamentar. Em dezembro de 2025, a corporação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Pará em investigação sobre suspeitas de corrupção e de organização criminosa com participação de agentes públicos e privados.
Na ocasião, segundo relatos das diligências, o deputado teria arremessado um telefone celular pela janela quando os policiais chegaram ao local. Segundo a investigação anterior, ele era alvo de apurações por suposto desvio de verba parlamentar e por participação em um grupo acusado de saques superiores a R$ 48 milhões.
As apurações decorrentes da operação desta segunda-feira e o exame do material recolhido pela Polícia Federal deverão esclarecer vínculos entre os valores apreendidos e eventuais crimes, inclusive os relacionados ao pleito em curso.
Fonte: Uberlandianofoco


