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quarta-feira, junho 24, 2026

PIB da Argentina avança 2,3% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado por exportações

O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 na comparação anual, segundo dados divulgados pelo Indec nesta terça-feira (23). Na comparação com o trimestre anterior, já dessazonalizada, a economia registrou alta de 0,7%.

O avanço foi sustentado principalmente pelo desempenho das exportações, apesar de sinais de perda de poder de compra da população e deterioração do mercado de trabalho. Entre janeiro e março, os setores que mais contribuíram para a expansão foram agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira. Em contrapartida, a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista teve queda de 0,3%.

O ministro da Economia, Luis Caputo, comemorou o resultado em publicação na rede X, destacando que o crescimento foi puxado pelo aumento das exportações e por um consumo privado em nível recorde, com alta de 2,7%.

Economistas consultados pela AFP destacaram, porém, que o crescimento do consumo privado pode refletir mudanças na composição dos gastos e nos preços relativos. Andrés Asiaín, diretor do Centro Scalabrini Ortiz, observou que o aumento está ligado, em parte, ao impacto do encarecimento de serviços e ao maior gasto das famílias nessa rubrica. Guido Zack, diretor de Economia da Fundar, acrescentou que o consumo privado inclui compras de bens importados e gastos de argentinos no exterior, itens que nem sempre beneficiam diretamente o comércio e a produção locais.

A mineração e o setor de hidrocarbonetos foram apontados como motores importantes do crescimento. A Argentina atraiu investimentos bilionários ao conceder isenções fiscais e aduaneiras por 30 anos a projetos nesses segmentos. No entanto, analistas ressaltam uma dinâmica de “duas velocidades”: setores ligados a exportações avançam, enquanto indústria e comércio voltados ao mercado interno recuam.

O mercado de crédito mostra sinais de tensão: o nível de inadimplência das famílias junto aos bancos atingiu o maior patamar das últimas duas décadas, saltando de 3,7% em abril de 2025 para 12,1% em abril de 2026. Diante desse cenário, bancos públicos lançaram programas para renegociação de dívidas em atraso.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 7,8% no primeiro trimestre de 2026, ante 5,7% registrados quando Javier Milei assumiu a Presidência. A informalidade alcançou 44% em abril, segundo o Indec. Florencia Fiorentin, economista-chefe da Epyca Consultores, explicou que setores que crescem, como mineração, demandam pouca mão de obra e dependem de exportações, ao passo que os setores em queda concentram mais empregos e atendem o mercado interno.

O texto lembra que, no final de 2023, o presidente Javier Milei implementou um plano de austeridade que terminou com o déficit fiscal crônico e reduziu a inflação em cerca de um terço, após níveis de três dígitos. A economia argentina cresceu 4,4% em 2025 e a projeção para 2026 é de crescimento próximo a 3%.

G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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