A Polícia Federal deu início às investigações periciais no prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) atingido por um incêndio que devastou parte da estrutura. Na primeira etapa dos trabalhos, as equipes empregam um drone e um carrinho robô equipado com câmera, já que o ingresso de peritos humanos no interior do imóvel está impedido pelo risco de desabamento do teto, que segue sendo avaliado.
As chamas tiveram início na noite da quarta-feira (7) e foram controladas pelo Corpo de Bombeiros após cerca de nove horas. No dia seguinte ao combate, os equipamentos remotos foram usados para produzir imagens internas que mostram destruição significativa, com escombros, cinzas, tubos e móveis retorcidos.
O primeiro andar foi o setor mais atingido pelo fogo. Como as janelas foram destruídas, o drone conseguiu sobrevoar e acessar parte do edifício para captar imagens dos laboratórios e das áreas comprometidas. A perícia da PF busca determinar se o incêndio teve caráter criminoso ou outra causa ainda a ser confirmada.
A reitoria da UFPE estimou perdas em torno de R$ 100 milhões. Aproximadamente 200 teses e dissertações foram afetadas, segundo a universidade, o que comprometeria até 20 anos de projetos científicos. No local funcionavam laboratórios com pesquisas nas áreas de saúde, incluindo estudos sobre Covid-19, câncer, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Próximas etapas e envolvimento de órgãos
A PF informou que o acesso total ao imóvel só será possível após a realização do escoramento da estrutura, medida necessária para evitar o desabamento. O delegado regional executivo da Polícia Federal, Rodrigo Bastos, afirmou que peritos da corporação vindos do Distrito Federal participarão das investigações.
A Defesa Civil do Recife declarou que ainda não vistoriou o prédio e aguarda a conclusão dos trabalhos da Polícia Federal. A prefeitura acrescentou que um engenheiro indicado pela UFPE fará a avaliação estrutural assim que a perícia for finalizada.
Histórico do prédio e repasses anunciados
O edifício já abrigou o Restaurante Universitário nas décadas de 1980 e 1990 e foi sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). Durante a pandemia, passou a receber o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica, agregando laboratórios de diferentes áreas.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, visitou o local na tarde de quinta-feira (8) e anunciou a construção de um novo centro de pesquisas com investimento estimado em cerca de R$ 28 milhões. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, declarou que serão repassados aproximadamente R$ 40 milhões para a recomposição dos equipamentos perdidos no incêndio.
Outros incêndios na mesma semana
O episódio desta edificação foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em uma semana. No dia 30 de setembro, ocorreu um incêndio em um laboratório do Departamento de Física, sem feridos; a suspeita apontada pela instituição foi uma câmara de alta temperatura usada em experimentos. No domingo (4), houve outro incêndio no laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências, também sem vítimas. Segundo a reitoria, as causas dos dois primeiros incêndios já foram identificadas: no primeiro caso, originado por um experimento realizado no laboratório; no segundo, iniciado após curto-circuito no aparelho de ar-condicionado.
As equipes seguem com o trabalho de perícia técnica para mapear os danos, identificar as causas do incêndio e orientar as próximas ações de recuperação do prédio e das pesquisas afetadas.
Fonte: G1


