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Celebrado nesta sexta-feira (31), o Dia do Vira‑Lata recupera a origem do termo ligado ao abandono — imagens de cães revirando latas de lixo em busca de alimento — e aproveita a data para incentivar a adoção responsável. A comemoração também destaca a transformação do vira‑lata caramelo em um dos maiores símbolos da cultura brasileira, presente em memes, estampas e campanhas públicas.
Origem do nome e mudança de significado
O apelido “vira‑lata” nasceu da cena urbana em que animais sem raça definida (SRD) eram vistos remexendo latas e lixo em busca de comida. Com o tempo, porém, o termo deixou de associar‑se apenas ao abandono e passou a expressar afeto, resistência e companheirismo para milhões de brasileiros.
Por que a data é 31?
A escolha do dia 31 remete ao filme brasileiro “Meu Cachorro é um Vira‑Lata”, lançado em 1979. Desde então, a data deixou de ser apenas uma homenagem cinematográfica e tornou‑se um momento de mobilização por adoção e combate ao preconceito contra cães sem pedigree. ONGs, protetores independentes e clínicas veterinárias costumam promover feiras e campanhas nesse período.
Complexo de vira‑lata: história e reversão do sentido
Na década de 1950, o escritor Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira‑lata” para descrever um sentimento de inferioridade percebido em parte da sociedade brasileira após a derrota na final da Copa do Mundo de 1950. Décadas depois, o sentido da expressão virou quase o oposto: o vira‑lata é hoje associado à diversidade, adaptabilidade e alegria.
Números e presença no Brasil
Estima‑se que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivam em situação de abandono ou vulnerabilidade no Brasil, segundo entidades de proteção animal e o Instituto Pet Brasil. A maior parte desses animais é formada por SRD. Entre 60% e 70% das adoções realizadas em feiras e abrigos envolvem cães e gatos sem raça definida, e os SRD já representam a maior parcela dos pets que vivem em lares brasileiros.
Vigor, saúde e cuidados
Especialistas afirmam que a diversidade genética dos vira‑latas pode reduzir a incidência de algumas doenças hereditárias, fenômeno conhecido como vigor híbrido. Muitos SRD apresentam expectativa de vida entre 12 e 15 anos, podendo ultrapassar 18 anos com cuidados adequados. Ainda assim, esses animais não são imunes a doenças de pele, problemas articulares, otites ou parasitas. Vacinação, alimentação adequada, castração e acompanhamento veterinário são essenciais.
Impacto da adoção
Adotar um vira‑lata muda a vida do animal e do tutor: retira o cão das ruas ou de abrigos e oferece companhia e afeto a quem adota. A prática também contribui para reduzir o número de animais abandonados, combater o preconceito contra SRD e diminuir a demanda por criadouros clandestinos. Estudos apontam benefícios para a saúde física e emocional dos tutores, como redução do estresse e da ansiedade, incentivo à atividade física, melhora do sono, redução da solidão entre idosos e desenvolvimento de responsabilidade em crianças.
O vira‑lata caramelo alcançou reconhecimento além das redes: já foi tema de campanhas publicitárias e objetos de iniciativas legislativas — há proposta na Câmara dos Deputados (Projeto de Lei nº 1.897/2023) para reconhecer a expressão “vira‑lata caramelo” como manifestação cultural imaterial, e o Estado de São Paulo sancionou, em 2026, lei que reconhece oficialmente o Vira‑Lata Caramelo como expressão cultural paulista.
Apesar da popularidade, “caramelo” não é uma raça; o termo descreve cães SRD com pelagem em tons de marrom‑claro, dourado ou bege. A data serve, portanto, para lembrar a história do nome, alertar para os números do abandono e incentivar a adoção responsável.
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