Globo Repórter exibiu em 25.09.2026 reportagem sobre as diferenças entre jovens e seus pais e mostrou que, embora as divergências pareçam amplas, elas decorrem sobretudo de contextos distintos vividos por cada geração.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacaram que fatores sociais, econômicos, culturais e tecnológicos moldam valores e prioridades. A psicóloga Paloma Garcia explicou que a oposição entre gerações faz parte do processo de formação da identidade dos jovens, que tendem a questionar práticas e normas dos pais como maneira de se definirem.
O programa traçou um panorama histórico para situar as transformações: os Baby Boomers cresceram em um cenário de mais estabilidade familiar e normas sociais rígidas; a geração X passou por crises econômicas e buscou segurança financeira; os millennials vivenciaram a expansão da internet e maior acesso ao ensino superior; já a geração Z nasceu na era digital e teve a adolescência marcada pela pandemia.
Para o economista Daniel Duque, a pandemia acelerou mudanças já em andamento, alterando relação dos jovens com tecnologia, trabalho e modos de comunicação. Segundo ele, quem já dispunha de mais acesso a dispositivos e redes passou a se comunicar e se entreter de maneira ainda mais intensiva do que as gerações anteriores.
As escolhas de vida também apresentam diferenças. Enquanto antecedentes seguiam roteiros mais previsíveis — casamento, filhos e carreira estável —, os jovens de hoje convivem com um leque mais amplo de possibilidades e com maior incerteza. O economista Michel França observou que, no passado, havia um “script” social mais claro sobre o que era esperado do adulto, como casar em determinada idade, ter filhos e comprar imóvel.
Pesquisadores apontaram ainda o papel das redes sociais: a comparação constante com referências globais aumenta pressões sobre os jovens, que já não se guiam apenas pelo círculo imediato. A linguagem é outro elemento sinalizado; gírias e expressões mudam com rapidez e funcionam como marcas de pertencimento entre grupos jovens, perdendo muitas vezes essa função quando adotadas por gerações mais velhas.
Apesar dos conflitos, a reportagem ressaltou que as divergências não implicam ruptura definitiva. As gerações trocam influências e aprendizados; especialistas indicaram que convivência e entendimento são possíveis por meio de adaptação, diálogo e respeito às experiências de cada época.
Em síntese, concluiu a reportagem, o principal motivo para as diferentes formas de pensar entre jovens e pais é que cada geração cresceu em realidades históricas e tecnológicas distintas, o que moldou prioridades, valores e comportamentos.


