Preço segue pressionado apesar da volta das exportações
O mercado de petróleo manteve cotação elevada mesmo após a retomada do transporte pelo Estreito de Ormuz, rota crucial que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e serve produtores como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Na quinta-feira, 1º de outubro, o Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100 por barril.
Segundo estimativa do Goldman Sachs, as exportações na área do Golfo Pérsico chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, volume próximo da média de 2025. Ainda assim, a recuperação não reverteu a alta dos preços.
Analistas apontam diferenças entre as etapas da cadeia do petróleo como motivo para a continuidade da pressão. Embora o petróleo bruto tenha voltado a circular em níveis parecidos com os anteriores ao conflito, as exportações de combustíveis já refinados — como diesel, gasolina e querosene de aviação — seguem abaixo do normal, afetadas por impactos em refinarias e riscos no transporte desses produtos.
Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, ressalta a necessidade de distinguir produção, refino, mobilidade e logística de exportação como elementos separados que influenciam o mercado.
Estoques e medidas de emergência
Outro fator que sustenta os preços são os estoques globais reduzidos. A Agência Internacional de Energia (IEA) calcula uma queda de 507 milhões de barris desde fevereiro. No mesmo intervalo, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de reservas de emergência, segundo a IEA.
Com estoques baixos, empresas e governos tendem a recomprar petróleo para recompor reservas de segurança, mantendo pressão sobre as cotações.
Risco de nova interrupção e demanda de inverno
O receio de nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com possibilidade de ataques a instalações de produção, refinarias ou navios, também alimenta a precificação mais alta em contratos futuros. A expectativa de que países optem por segurar petróleo para uso doméstico é outro elemento citado por analistas como responsável por elevações no preço.
A aproximação do inverno no Hemisfério Norte é apontada como potencial pressão adicional sobre a demanda por energia, inclusive por derivados de petróleo, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. Em resposta ao aumento dos preços dos combustíveis, o governo alemão anunciou redução de impostos sobre gasolina e diesel para mitigar o impacto sobre consumidores e empresas, segundo a Reuters.
O que precisa mudar para cair
Para uma queda mais consistente nos preços, analistas como Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, listam três condições: recuperação duradoura das exportações, retorno da produção interrompida e normalização do abastecimento e das exportações de produtos refinados. A EIA estima que, em média, 5,7 milhões de barris por dia ficarão parados no quarto trimestre e projeta que a maior parte da produção do Oriente Médio retome níveis próximos aos anteriores ao conflito apenas no segundo trimestre de 2027.
Na sexta-feira, 2 de outubro, o preço do petróleo recuou para abaixo de US$ 100 após notícias de que países discutem liberar estoques estratégicos. Relatos da Reuters indicaram que membros da União Europeia consideravam liberar 50 milhões de barris de diesel, e que a Agência Internacional de Energia e países aliados poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo.
Enquanto isso, Estados Unidos e Irã permanecem em impasse: as negociações foram interrompidas por divergências sobre o programa nuclear iraniano, sanções americanas e garantias de liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. O Irã exige o fim das sanções e garantias para retomar conversas, e os EUA pedem restrições ao programa nuclear e a garantia de livre trânsito na região.


