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sábado, setembro 26, 2026

Por que ostentamos: psicologia e economia explicam o consumo de luxo

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O consumo de produtos caros pode servir tanto à apreciação da qualidade quanto à comunicação de status e pertencimento. O caso de Fernanda, que desde os 18 anos gastou seu primeiro salário em uma bolsa e depois em outros bens que extrapolavam suas necessidades e orçamento, ilustra como a ostentação pode se tornar um comportamento repetido e onerosos. Especialistas em psicologia econômica e pesquisadores em consumo detalham motivos, efeitos e pesquisas sobre esse comportamento.

Quem e o que

Fernanda relatou que, ao receber o primeiro salário aos 18 anos, parcelou a compra de uma bolsa que provavelmente superou seus ganhos daquele mês. O padrão se repetiu: ela passou a comprar itens mais caros do que sua rotina exigia, inclusive um carro maior e mais sofisticado do que precisava. Ao longo do tempo, os gastos comprometeram sua vida financeira.

Por que ostentamos

Segundo a psicóloga econômica Vera Rita Ferreira, humanos são inerentemente sociais e aprendem por imitação. Em termos de consumo, possuir algo mais caro pode criar sensação de exclusividade, diferenciando quem compra daqueles que não têm acesso. Na economia, essa ideia encontra paralelo na teoria do consumo conspícuo do economista Thorstein Veblen, que descreve a aquisição e exibição de bens como forma de demonstrar riqueza e posição social.

O produto como identidade

O professor Nelsio Rodrigues, da Universidade Federal da Paraíba, destaca a dimensão do pertencimento. Ele retoma o conceito de “self estendido” de Russell Belk: objetos como roupas, carros e celulares passam a integrar a construção da identidade e a sinalizar adesão a um grupo. A ostentação, portanto, pode ser motivada tanto pela diferenciação quanto pelo desejo de pertencer a uma tribo de consumo.

Pesquisas e relações sociais

Estudos investigam conexões entre ostentação, autoestima, exclusão social e relacionamentos. Um trabalho de 2023 publicado na revista Frontiers in Psychology mostrou que lembranças de rejeição ou traição aumentaram a propensão ao consumo ostensivo em comparação com recordações de relacionamentos positivos. Outra pesquisa, intitulada “Pavões, Porsches e Thorstein Veblen: o consumo ostentatório como sistema de sinalização sexual”, encontrou evidências de que, entre homens, contextos ligados a estratégias de relacionamento de curto prazo se associam a gastos mais extravagantes, sugerindo que a ostentação pode ter múltiplas funções sociais além de exibir recursos econômicos.

Quando o status pesa no bolso

Rodrigues observa que o acesso a bens de prestígio mudou com o crédito e o parcelamento, tornando possível adquirir produtos de alto valor sem pagar o preço total de imediato. Isso alimentou a expressão “pobreza de luxo”, usada para descrever quem mantém aparência de consumo elevado por meio de dívidas. O problema financeiro surge quando compras sucessivas comprometem renda futura, reduzem a capacidade de poupar e aumentam a vulnerabilidade a imprevistos.

Consequências e saídas

No caso de Fernanda, o consumo compulsivo a levou a procurar acompanhamento psicológico e psiquiátrico e a participar de um grupo de apoio, os Devedores Anônimos (DA). Para controlar impulsos, ela implementou um planejamento de gastos: decisões de compras acima de R$ 100 são consultadas com uma terceira pessoa; estabeleceu teto para bolsas (até R$ 150) e sapatos (até R$ 100) e definiu limites mensais para evitar compras impulsivas.

Impacto das redes sociais

Especialistas citados pela reportagem apontam que as redes sociais ampliaram a comparação social, permitindo acompanhar padrões de consumo de pessoas de diferentes países e realidades econômicas, o que intensifica a sensação de inadequação em quem já se sente inseguro. Fernanda relata que, por perceber a influência dessas comparações, optou por se afastar das redes sociais para reduzir a pressão de consumo.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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