O aumento de preço do chocolate no varejo brasileiro chamou atenção na semana em que se celebra o Dia Mundial do Chocolate, nesta segunda-feira (7). Dados da Scanntech apontam que, entre janeiro e maio de 2026, o preço por volume do produto subiu 10,7% em comparação ao mesmo período de 2025.
Indústria mantém expansão da produção
Mesmo com a elevação de preços, a produção nacional continuou em crescimento. A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab) informa que o Brasil produziu 814 mil toneladas de chocolate em 2025, ante 806 mil toneladas em 2024, um avanço próximo de 1%. Segundo a entidade, o setor congrega toda a cadeia, desde o cultivo do cacau até a fabricação e a comercialização, movimentando bilhões de reais na economia.
Origem e transformação do consumo
O cacau tem história antiga: seu cultivo começou há mais de cinco mil anos na região do atual Equador e, posteriormente, expandiu-se pela Mesoamérica, integrando a cultura de povos como maias e astecas. Nesses grupos, o cacau desempenhava papéis além da alimentação, estando presente em rituais religiosos, cerimônias políticas e, em alguns casos, sendo usado como forma de moeda, segundo a historiadora Ana Paula Aguiar, do Sistema de Ensino pH.
Na época pré-colombiana, a bebida conhecida como “xocolatl” era preparada com água e especiarias, resultando em um consumo amargo bastante distinto do chocolate contemporâneo.
Impactos da chegada europeia e da industrialização
Com a chegada dos europeus no século XVI, o consumo do cacau foi transformado pela adição de açúcar e leite, adaptando o produto ao paladar europeu. A Revolução Industrial, no século XIX, reduziu custos de produção e ajudou a popularizar as barras de chocolate. Para Ana Paula Aguiar, a trajetória do cacau ilustra encontros entre culturas, mudanças econômicas e alterações nos hábitos de consumo ao longo do tempo.
Produção brasileira e desafios
O cultivo de cacau integra a história econômica do Brasil desde o período colonial. A Bahia destacou-se como um dos maiores polos produtores durante o ciclo do cacau e hoje divide a liderança nacional com o Pará. Apesar dos danos provocados pela doença conhecida como vassoura-de-bruxa, que afetou lavouras baianas a partir da década de 1980, o país segue entre os principais produtores mundiais e tem ampliado a oferta de cacaus especiais e chocolates de origem.
Cadeia global e variação de preços
A cadeia produtiva do chocolate evidencia a organização da economia global: a maior parte do cacau é cultivada em países do Sul Global, enquanto as etapas com maior valor agregado, como industrialização e comercialização, concentram-se em nações desenvolvidas. Essa divisão explica por que fatores externos impactam diretamente o preço do chocolate nas prateleiras brasileiras.
O setor segue, portanto, registrando produção em crescimento mesmo diante da alta de preços, refletindo uma combinação de dinâmica doméstica e influência de variáveis internacionais.


