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sábado, março 7, 2026

Presidente da Nissan nas Américas defende tarifas sobre carros chineses para proteger indústria brasileira

Christian Meunier, presidente da Nissan para as Américas, afirmou que o governo brasileiro deveria adotar medidas tributárias para proteger a indústria automotiva local diante do aumento de veículos chineses importados no mercado nacional.

Em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros com participação do G1, Meunier afirmou que é necessário resguardar a produção, os empregos e a cadeia de fornecedores no Brasil, e considerou incoerente permitir a entrada massiva de carros importados competindo com modelos fabricados internamente.

O executivo citou como referência uma ação recente do México, que passou a aplicar tarifas sobre importações vindas da China e de outros países não contemplados por acordos comerciais. Segundo o presidente da Nissan nas Américas, o México mantém isenção para produtos cobertos pelo Acordo de Complementação Econômica ACE-55, firmado com o Mercosul em 2002, enquanto para os demais itens aplica alíquotas que variam de 5% a 50% sobre 1.463 produtos de 17 setores — entre eles automóveis, autopeças, vestuário, plásticos, siderurgia e eletrodomésticos — com foco em países sem acordos comerciais vigentes.

Meunier explicou que, na prática, a política mexicana condiciona isenção de tarifas ao volume produzido localmente: quem fabrica uma certa quantidade no México pode importar sem taxas; quem não produzir localmente pode ser sujeito a tarifas de até 50%. Ele disse acreditar que o Brasil deveria adotar medida similar.

A Nissan mantém uma fábrica em Resende (RJ) desde 2014, onde são produzidos os SUVs Kicks e Kait. Os sedãs Versa e Sentra, assim como a picape Frontier, continuam sendo importados do México. A montadora investiu R$ 2,8 bilhões no complexo de Resende, parte do qual foi destinada ao desenvolvimento e à produção do novo Kait, que além de atender o mercado brasileiro é fabricado para mais de 20 países da América Latina.

Ao falar sobre a estratégia global da Nissan, Meunier destacou uma reestruturação da liderança e disse que a renovação da equipe executiva buscou recuperar a energia e o “espírito de luta” da empresa. Entre 2024 e 2025, a companhia reduziu em US$ 1 bilhão custos fixos e em US$ 1 bilhão custos variáveis na região das Américas.

Ele atribuiu essas reduções a três medidas principais: redução do volume global de produção — que, segundo Meunier, caiu de 5,5 milhões para 3,2 milhões de veículos nos últimos seis anos; encurtamento do tempo de desenvolvimento de novos modelos, de cerca de seis anos para 38 meses; e maior localização da produção, estratégia que diminui riscos relacionados a tarifas e flutuações cambiais e melhora a logística. Como exemplo, nos Estados Unidos a produção local subiu de 44% para 65% em um ano.

No mercado brasileiro, a Nissan tem mantido participação estável: representava 3,13% dos emplacamentos em 2020 e 3,05% em 2025, segundo a Fenabrave. Nos dados de janeiro citados pelo executivo, a participação por marcas ficou assim: BYD com 6,03% (9.801 emplacamentos), Honda com 4,14% (6.722 emplacamentos) e Nissan com 2,81% (4.559 emplacamentos).

O Kicks, que em 2024 chegou a ocupar a quarta posição entre os SUVs mais vendidos no país, encerrou 2025 na sétima colocação, com 58.388 emplacamentos. A lista dos SUVs mais emplacados em 2025 inclui Volkswagen T-Cross (92.837), Hyundai Creta (76.156), Jeep Compass (61.227), Honda HR‑V (61.227), Chevrolet Tracker (60.867) e Toyota Corolla Cross (59.674).

Meunier reforçou que a localização da produção e a integração com fornecedores locais são elementos centrais na estratégia da Nissan para o Brasil e a América Latina.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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