Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, afirmou nesta quinta-feira (5) que o atual patamar elevado das taxas de juros no Brasil tende a provocar aumento da inadimplência e a pressionar o orçamento das famílias. Em entrevista ao Radar GloboNews, o executivo defendeu a necessidade de reduzir as taxas para níveis mais baixos, preferencialmente para a casa dos dígitos únicos, para permitir maior dinamismo no crédito e decisões de financiamento mais responsáveis por parte de consumidores e empresas.
Segundo Maluhy Filho, juros reais descontados da inflação continuam elevados no país e limitam a expansão da carteira de crédito com qualidade. Ele destacou que condições de juros menores facilitariam financiamentos imobiliários, compras de veículos, consumo e investimentos empresariais com maior segurança e eficiência.
Contexto da política monetária
As declarações do presidente do banco ocorreram um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual — o quarto corte consecutivo. Com o movimento, a Selic passou para 14% ao ano, o menor nível desde março de 2025.
No comunicado após a decisão, o colegiado destacou fatores que podem representar risco para nova elevação de preços: inflação acima da meta por período prolongado; alta do preço do petróleo no mercado internacional; eventos climáticos que prejudiquem a produção agrícola e elevem custos de energia, como o El Niño; preços de serviços ainda elevados; e uma eventual desvalorização do real. O Banco Central também advertiu que estímulos ao consumo podem aquecer a atividade econômica além das expectativas e aumentar a pressão inflacionária.
Maluhy Filho avaliou que o tom do comunicado do BC foi conservador ao sinalizar preocupação com o cenário macroeconômico, mas deixou aberta a possibilidade de novo corte na próxima reunião do Copom. Para ele, ainda há espaço para reduzir juros, já que o nível atual é, na sua visão, bastante restritivo.
Políticas sociais, fiscal e eleições
O presidente do Itaú comentou ainda sobre programas de transferência de renda do governo federal e a necessidade de ajustes fiscais diante do aumento da massa salarial observado. Ele declarou que, embora apoie a agenda social de transferências, o país precisa recalibrar o quadro fiscal, pois o custo dessas medidas tende a crescer ao longo do tempo se não houver priorização de gastos.
Sobre o processo eleitoral, Maluhy Filho afirmou ser importante que os candidatos à Presidência expliquem com mais clareza seus planos para a trajetória da dívida pública, medidas de ajuste orçamentário, controle de gastos fixos e eventuais reformas orçamentárias, indicando intensidade e prioridades.


