A produção brasileira de etanol de cereais deve atingir cerca de 10 bilhões de litros na safra 2025/2026, um aumento de aproximadamente 20% em relação ao ciclo anterior, segundo dados do setor. O avanço marca uma expansão rápida do segmento, que em 2017 produzia cerca de 500 milhões de litros.
O crescimento é atribuído principalmente à difusão de usinas flex, capazes de processar cana-de-açúcar e cereais ao longo do ano. Essa característica permite reduzir a sazonalidade da cadeia produtiva e reforça a integração entre agricultura, tecnologia e a produção de energia renovável.
Quem, como e por quê
Segundo representantes do mercado, o etanol de cereais tem registrado, nos últimos anos, uma taxa média de crescimento superior a 30% ao ano. Para Ágata Turini, diretora comercial da Fertron, essa alternativa complementa a produção de etanol de cana e contribui para a ampliação da matriz energética nacional.
Além da adoção de plantas flex, a cadeia vem incorporando tecnologias avançadas, entre elas soluções baseadas em inteligência artificial, que aumentam a eficiência produtiva. A maior eficiência tende a melhorar a competitividade do Brasil no segmento global de combustíveis renováveis e a oferecer melhores condições de comercialização para produtores rurais.
Expansão geográfica e estrutura industrial
A produção de etanol a partir de cereais está se deslocando para novas regiões do país. Tradicionalmente concentrada no Sudeste e no Centro-Oeste, a atividade passa a receber investimentos no Norte, Nordeste e Sul. Atualmente, o Brasil possui 25 biorrefinarias em operação, com expectativa de atingir 33 unidades até o final de 2026.
Projetos em áreas como o Matopiba e no Sul do país têm aproveitado cereais de inverno, buscando agregar valor à produção agrícola sem comprometer o abastecimento de alimentos. O processamento integral dos cereais também tem gerado coprodutos relevantes para a cadeia, que representam entre 20% e 25% da receita líquida das biorrefinarias mais modernas.
Produtos derivados como DDG e DDGS são destacados como insumos amplamente utilizados na alimentação animal, o que contribui para a rentabilidade do setor. Com a combinação de cana-de-açúcar, cereais e inovação tecnológica, o avanço do etanol de cereais é visto como um componente da agenda de segurança energética e descarbonização do país.
Fonte: Uberlandianofoco


