Mercado em pânico e acionamento do ‘circuit breaker’
Na segunda-feira (26), a forte turbulência nos mercados após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrubou o principal índice da B3. O Ibovespa registrou queda superior a 10% nos primeiros minutos de negociação e acionou o mecanismo conhecido como “circuit breaker”, que interrompe temporariamente as operações diante de recuos bruscos.
Ao final do pregão, o índice acumulou perda de 13,88%, fechando aos 176.608 pontos. A reação negativa dos investidores afetou empresas de diversos setores, com destaque para consumo, varejo, imobiliário e instituições financeiras.
Perdas entre bilionários brasileiros
Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, os dez brasileiros presentes entre as 500 pessoas mais ricas do mundo tiveram, em conjunto, queda de US$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 75,6 bilhões) em um único dia — a maior perda diária conjunta registrada pelo levantamento desde sua criação, em 2012.
Entre os mais afetados estão executivos e acionistas do setor bancário. André Esteves, fundador do BTG Pactual, viu sua fortuna diminuir cerca de US$ 3,7 bilhões (em torno de R$ 20 bilhões), equivalente a aproximadamente 24% de seu patrimônio, estimado em US$ 12 bilhões (R$ 64,8 bilhões). David Vélez, fundador e controlador da Nu Holdings, perdeu cerca de US$ 2,3 bilhões (R$ 12,4 bilhões).
Os irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles, acionistas do Itaú Unibanco, registraram perdas combinadas de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,21 bilhões). Juntos, os quatro bilionários do setor bancário tiveram redução média de cerca de 16% em suas fortunas, que passaram a totalizar US$ 45,6 bilhões (R$ 246,38 bilhões) após o tombo.
Queda de ações e impacto cambial
Entre as maiores desvalorizações individuais do dia estão Magazine Luiza, com recuo de 58,23%, seguida por Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Blue chips e grandes instituições financeiras também tiveram cotações negativas: Banco do Brasil (-27,31%), ações preferenciais do Bradesco (-21,70%) e ordinárias (-20,65%), BTG Pactual (-24,83%) e Itaú Unibanco (-13,66%).
Além da queda das ações, a forte desvalorização do real em relação ao dólar ampliou as perdas quando os patrimônios foram convertidos para a moeda americana. O dólar encerrou o dia em alta de 8,21%, cotado a R$ 5,4027.
Impacto em outras ramificações da família Moreira Salles
Considerada a família mais rica do país, os Moreira Salles também foram afetados pela turbulência. Pedro (67 anos) e Fernando (80 anos) mantêm participação no Itaú; João e Walter, que venderam suas ações do banco em 2022 e concentram investimentos em uma mineradora privada e na Alpargatas (fabricante das sandálias Havaianas), sofreram perdas conjuntas estimadas em cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,48 bilhões).
O pregão desta segunda-feira marcou, segundo a Bloomberg, a maior retração diária conjunta do patrimônio dos bilionários brasileiros desde o início do índice, refletindo tanto a queda das ações quanto a variação cambial.
Fonte: G1


