Origem do termo
O rótulo “inteligência artificial” surgiu em 1955 nos Estados Unidos, fruto de um esforço conjunto de pesquisadores que buscavam uma nomenclatura para projetos que misturavam matemática, engenharia e estatística com o objetivo de criar máquinas capazes de raciocinar de modo semelhante ao humano. Entre os nomes ligados à gênese do termo estão John McCarthy (matemático), Marvin Minsky (matemático e cientista da computação), Claude Shannon (matemático e engenheiro eletrônico) e Nathaniel Rochester (cientista da computação).
Pesquisas anteriores já haviam explorado a ideia de máquinas pensantes. Na década de 1940 e início dos anos 1950, Alan Turing estudou se era possível programar máquinas para responder de forma que fosse difícil distinguir suas respostas das de um humano. Em 1948, Norbert Wiener introduziu o conceito de “cibernética” para tratar de sistemas que usam informação sobre suas ações para ajustar seu comportamento.
Segundo registros do Museu da História do Computador e relatos de especialistas, McCarthy e colegas se reuniram no Dartmouth College para definir um campo focado em raciocínio e autonomia das máquinas, distinto da cibernética. Na ocasião, não houve consenso sobre como desenvolver a área na prática: algumas linhas defendiam sistemas reativos que respondem ao ambiente; outras, o uso de métodos estatísticos e probabilísticos para permitir aprendizado das máquinas.
Proposta de mudança de nome por Trump
Sete décadas depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem defendendo a substituição do termo “inteligência artificial” por “superinteligência”. Em setembro, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, ele afirmou que o nome atual “faz soar como se ela fosse falsa” e declarou a intenção de que documentos oficiais americanos, e esperançosamente de outros países, passem a usar “superinteligência”.
Antes do pronunciamento na ONU, Trump realizou enquetes em sua rede social, Truth Social, com opções de nomes como “Inteligência Superior”, “Inteligência Extrema” e “Inteligência Suprema”, e posteriormente submeteu “Superinteligência” contra “Inteligência Superior”. Ele também afirmou que trataria como “inimigo” quem continuasse a usar o termo tradicional.
Reações de especialistas
Pesquisadores ouvidos destacam que trocar a nomenclatura não é simples. Anderson Soares, do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG, ressalta que o conceito de inteligência ainda carece de definição única e que o termo em uso descreve a capacidade de máquinas realizarem tarefas associadas à inteligência humana. Para ele, a iniciativa de Trump tem mais motivação política do que técnica.
Cleber Zanchettin, professor da UFPE, afirmou que a mudança soa mais como estratégia de marketing que como ação com efeito prático, e alertou para o risco de a nova denominação aumentar a rejeição pública à tecnologia. Allan Pscheidt, pesquisador de IA, interpretou a movimentação como demonstração de poder geopolítico, comparando a corrida pela Inteligência Artificial Geral (AGI) à corrida espacial, e ressaltou que não há comprovação científica da existência de uma “superinteligência”.
Percepção pública
Especialistas lembram que muitos consumidores ainda têm pouco entendimento sobre a IA e que rotular produtos com um termo mais alarmante pode elevar a preocupação pública. Pesquisas recentes indicam que mais da metade dos brasileiros (52%) se declara mais preocupada do que animada com o avanço da tecnologia, segundo o Pew Research Center, e que nos Estados Unidos cerca de nove em cada dez cidadãos dizem-se mais apreensivos do que otimistas quanto à possibilidade de a IA superar a inteligência humana, conforme levantamento da CNN divulgado em setembro.
Fonte: G1


