Quem: Produtores rurais da Galícia e associações locais; raça bovina Cachena.
O que: A Cachena, raça bovina tradicional da Península Ibérica, vem sendo reintroduzida em pastagens da Galícia com a finalidade de controlar a vegetação que serve de combustível para incêndios florestais.
Quando: A medida ganhou força nos últimos anos, especialmente após o incêndio que atingiu a comunidade de Vincios em 2017, e os dados mais recentes são do início de 2026.
Onde: Regiões rurais da Galícia, no noroeste da Espanha, incluindo áreas como a Serra do Galineiro, em Gondomar.
Como: Agricultores vêm soltando animais nativos — além da Cachena, cabras e ovelhas também são usadas — para consumir arbustos e outras plantas inflamáveis. Em algumas comunidades, os rebanhos circulam com coleiras de GPS, o que dispensa cercas convencionais e permite monitoramento remoto.
Por que: O abandono de terrenos rurais e a expansão de plantações de pinheiros e eucaliptos tornaram áreas mais propensas a incêndios. A presença de animais rústicos e adaptados a terrenos montanhosos ajuda a reduzir o acúmulo de biomassa que alimenta as chamas.
A Cachena, apelidada localmente de “vaca-cabra” por seu porte reduzido e chifres longos, é valorizada por sua resistência e capacidade de transitar em áreas de difícil acesso, além de se alimentar de diferentes tipos de vegetação. Dados de associações locais indicam crescimento expressivo de animais nativos na Galícia: o total passou de pouco mais de 1.800 no fim dos anos 1990 para mais de 30 mil no início de 2026. Especificamente para a Cachena, o rebanho subiu de cerca de 400 animais para aproximadamente 8 mil.
O governo regional implementou incentivos para que produtores mantenham animais jovens no rebanho, e iniciativas comunitárias contribuíram para ampliar a reprodução da raça. Produtores relatam que a criação mantém a vegetação controlada sem eliminar por completo o habitat natural, com o objetivo de reduzir o acúmulo de plantas que favorecem o avanço das chamas.
O movimento ocorre em um contexto de temporada de incêndios severa na Europa: na Espanha, mais de 77 mil hectares já haviam sido queimados em 2026, em meio a calor intenso e tempo seco. Incêndios na França e na Espanha também forçaram a saída de cerca de 330 mil pessoas.
Contém informações da Reuters.


