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segunda-feira, setembro 7, 2026

Rádio Nacional completa 90 anos desde estreia em setembro de 1936

Rio de Janeiro — Em setembro de 1936 a PRE-8, conhecida como Rádio Nacional do Rio de Janeiro, entrou no ar numa fase em que o rádio ampliava rapidamente sua penetração entre os brasileiros. A emissora foi criada pelo grupo do jornal A Noite, proprietário de um prédio de 22 andares no centro da cidade, apontado como o primeiro arranha-céu da América Latina.

No início da década de 1930 o grupo A Noite enfrentava problemas financeiros e atritos com o governo de Getúlio Vargas. Em 1931 o jornal foi vendido à Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, que passou a deter entre seus ativos uma concessão de rádio. Em 1933 saiu a constituição da Sociedade Civil Brasileira Rádio Nacional, projeto que levou à aquisição, três anos depois, de um transmissor de 20 quilowatts proveniente da extinta Rádio Philips, com a ambição de disputar a liderança no mercado radiofônico.

Para compor o elenco da nova emissora foram reunidos nomes como Orlando Silva, Aracy de Almeida, Celso Guimarães, Ismênia dos Santos, Oduvaldo Cozzi e Radamés Gnattali. A divulgação da estreia contou até com panfletos jogados de um avião sobre o Rio de Janeiro, estratégia para atrair ouvintes.

O começo, porém, teve percalços técnicos. Segundo o ex-diretor Osmar Frazão, os primeiros cantores — entre eles Orlando Silva e Nuno Roland — deixaram a Nacional cerca de três meses após a estreia porque os transmissores não cobriam áreas importantes da cidade, como a Zona Sul.

Em 1940 o governo federal incorporou a Rádio Nacional e outras empresas do grupo A Noite ao patrimônio da União, em meio a uma dívida da empresa e à avaliação do presidente Getúlio Vargas sobre o potencial estratégico do rádio. Na sequência, o empresário Gilberto de Andrade assumiu a administração da emissora e implantou mudanças que expandiram a audiência: o elenco foi ampliado, passaram a ser adotados sistemas de medição de público e investiu-se em transmissões de ondas curtas.

Em 1942 a instalação de cinco antenas transmissoras permitiu que o sinal alcançasse praticamente todo o Brasil e chegasse a países das Américas, Europa, África e Ásia. No mesmo ano os estúdios foram reformados e um auditório com quase 500 lugares passou a sediar concursos, apresentações musicais e shows de calouros.

Desde 1938 programas de grande sucesso, a exemplo do trabalho do radialista Almirante, passaram a compor a grade da emissora. A programação reunia música, esporte, publicidade, radiodramaturgia e atrações ao vivo. Artistas e apresentadores como César de Alencar e Paulo Gracindo, além do Show dos Calouros, atraíam grande público aos auditórios do prédio de A Noite.

Historiadores ressaltam a diversidade da programação, que incluía shows, concursos e sorteios. A política de manter no ar programas sem condicioná-los ao retorno financeiro permitiu, por exemplo, a manutenção de uma orquestra sinfônica com 120 músicos. A música também marcou a identidade da rádio: “Luar do Sertão”, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, viria a se tornar o prefixo musical oficial da emissora.

Créditos: colaboração de Guilherme Strozi e Raquel Júnia; produção de Ligya Maria; supervisão de Bel Pereira; sonoplastia de Jailton Sodré.

Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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