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Rafaela Pimenta, de 53 anos, tornou-se referência nos bastidores do futebol ao se firmar como a primeira mulher classificada como “superagente” do esporte. À frente da Tatica, agência com sede em Mônaco, ela representa nomes de peso, entre eles o norueguês Erling Haaland, que deve enfrentar o Brasil no domingo, 5 de julho de 2026, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Pimenta aparece na edição 2026 da lista “50 Over 50” da revista Forbes, que reúne mulheres de destaque mundial, dividindo espaço com figuras como a atriz Penélope Cruz e a reverenda Sarah Mullally, primeira mulher a assumir a Arquidiocese de Canterbury. Sua carteira inclui também o mexicano Gilberto Mora, de 17 anos, que fez estreia na Copa deste ano.
No currículo profissional, consta a condução de grandes transferências: em 2022, ela foi reconhecida com o prêmio de Melhor Transferência do Ano no Globe Soccer Awards pela negociação que levou Haaland ao Manchester City; em 2026, coordenou a renovação do contrato do atacante com o clube inglês até 2034. Pimenta destaca que, no mercado atual, é necessário comprovar valor constantemente, já que o cenário muda com rapidez e demanda criatividade diária.
Antes de ingressar no mercado de agenciamento, Pimenta atuou como professora no Brasil. Ela relatou em entrevista à BBC Sport que passou a usar casos contratuais do futebol como pauta nas aulas para manter a atenção dos alunos, o que a aproximou de negociações e abriu caminho para trabalho com agentes e transferências envolvendo clubes brasileiros e estrangeiros.
A profissional trabalhou ao lado do controverso agente Mino Raiola em vários negócios. Apesar da associação, ela construiu trajetória própria; depois da morte de Raiola, em abril de 2022, Pimenta passou a representar alguns dos jogadores ligados ao italiano, mantendo, desde antes, sua agência e clientes como Gilberto Mora.
Pimenta também relatou experiências de discriminação de gênero ao longo da carreira. Entre os episódios citados estão comentários preconceituosos por parte de dirigentes e reações que, segundo ela, expressam a ideia de que mulheres não entendem de futebol. A partir dessa vivência, ela passou a dar aulas para aspirantes a agentes em cursos organizados pela UEFA e pela associação internacional da categoria, e orienta jovens profissionais a não aceitarem abusos ou a se sexualizarem para progredir.
Além da rotina de negociações, Pimenta comenta a transformação do futebol nas últimas décadas: jogadores passaram a operar como empresas, gerando novas demandas comerciais — Haaland, por exemplo, soma cerca de 2 milhões de inscritos em seu canal no YouTube e quase 45 milhões de seguidores no Instagram. Ao mesmo tempo, ela critica práticas contratuais que limitam a liberdade dos atletas, como cláusulas que obrigam o pagamento de multa para troca de agente, e aponta que os clubes detêm hoje poder excessivo nas negociações.
O debate sobre regras de transferências ganhou relevo em outubro de 2024, quando o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que parte das normas da Fifa violava a legislação europeia. Em resposta, a Fifa adotou um modelo provisório para cálculo de indenizações e redistribuição do ônus da prova em casos de quebra de contrato, tema que, segundo Pimenta, extrapola o campo jurídico e toca na forma como os jogadores são tratados num negócio bilionário.
Rafaela Pimenta diz que sua missão inclui facilitar o caminho para as próximas gerações de mulheres no futebol, garantindo que não precisem aceitar comportamentos abusivos para conquistar espaço na indústria.
Fonte: G1


