O algodão registrou recuperação nos preços no mercado internacional, aliviando a pressão sobre as margens dos produtores brasileiros. A pluma subiu de cerca de US$¢ 60 para aproximadamente US$¢ 80 por libra-peso, elevando as expectativas para a safra 2025/26.
Segundo a consultoria Veeries, a reação das cotações decorre de uma combinação de fatores globais. Conflitos no Oriente Médio elevaram os preços dos fertilizantes nitrogenados, enquanto a valorização do petróleo tornou as fibras sintéticas menos competitivas perante a fibra natural, incentivando maior demanda pelo algodão.
Impacto no mercado e na produção rural
Além dos fatores ligados a insumos e ao petróleo, condições climáticas adversas no Texas — um dos principais estados produtores dos Estados Unidos — também contribuíram para a alta dos preços. A expectativa de abandono de áreas cultivadas no país norte-americano passou a sustentar as cotações internacionais, proporcionando um respiro aos produtores brasileiros.
Embora a elevação das cotações seja vista como um sinal positivo, especialistas consultados pela Veeries destacam que o mercado ainda não entrou em um ciclo plenamente favorável. A nova faixa de preços reduz, no entanto, o risco de uma queda acentuada na área plantada no Brasil para a próxima temporada agrícola, mantendo, contudo, um grau de cautela entre os produtores.
Outro elemento monitorado pelo setor é o comportamento dos preços dos fertilizantes. Caso a tendência de queda nos valores dos fertilizantes se confirme, o custo de implantação do algodão safrinha pode ficar mais favorável, beneficiando os agricultores que dependem dessa safra complementar.
No âmbito regional, o governo da Argentina anunciou redução gradual dos impostos sobre exportações agrícolas. A medida tem potencial para atrair novos investimentos no setor, mas também pode incentivar retenção de soja pelos produtores argentinos, que aguardariam por cortes tributários adicionais antes de comercializar a produção.
Por fim, o cenário internacional segue sob influência de tensões geopolíticas, especialmente entre Estados Unidos e China, o que mantém incerteza sobre o comportamento dos mercados de commodities. A volatilidade dos preços do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, permanece como fator de preocupação para investidores e agentes do setor.
Fonte: Uberlandianofoco


