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quinta-feira, outubro 29, 2026

Reformas atraem investidores, mas população sente perda de renda em países emergentes

Reformas melhoram indicadores, mas não aliviam custo de vida

Em diferentes regiões do mundo, reformas econômicas têm devolvido confiança a mercados e investidores, ao mesmo tempo em que boa parte da população não percebe melhora em sua situação financeira. Na Argentina, onde Javier Milei assumiu a Presidência em 2023, medidas do governo reduziram a inflação de quase 300% para cerca de 33% e ampliaram as importações, enquanto subsídios foram cortados.

Gustavo Raul Perez, comerciante em um bairro próximo a Buenos Aires, relata efeitos distintos: embora a inflação tenha caído, o custo para recompor o estoque da loja triplicou e clientes chegaram com menos poder de compra. “Este plano econômico é para poucos”, afirma Perez, que votou em Milei e vê uma classe média que, segundo ele, deixou de existir nos últimos três anos.

O contraste entre desempenho macroeconômico e sensação popular se repete em outros países emergentes. No Marrocos, investimentos em edifícios comerciais e crescimento do fluxo de investimento estrangeiro direto — que quase dobrou no ano passado — convivem com protestos de jovens e episódios de violência que deixaram mortos. Em julho, centenas de pessoas migraram em direção a um enclave espanhol vizinho.

O engenheiro Anass Sayad, que caminha pela Casablanca Finance City, resume a sensação local: o desenvolvimento ocorre em “duas velocidades”, com grandes projetos e pouca melhora imediata em educação e saúde, embora o governo tenha aumentado os gastos nessas áreas no orçamento de 2026.

No Sri Lanka, a economia saiu da crise e do calote da dívida, mas níveis de pobreza permanecem acima do período pré-crise. A vendedora de alimentos Sirimodara Wadaramge Sriyakanthi, em Colombo, acorda antes das 5h para preparar refeições que ela tenta vender por cerca de US$ 2, mantendo preços baixos para que os clientes possam pagar.

Em nações como Nigéria, Egito e Uzbequistão, a retirada de subsídios aos combustíveis, privatizações e abertura de mercados fazem parte de reformas apoiadas por investidores e por recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Essas mudanças, porém, encarecem produtos e podem reduzir renda disponível ao cortar gastos públicos ou permitir maior flutuação cambial.

Analistas apontam riscos sociais. Torbjorn Soltvedt, da Verisk Maplecroft, observa que aumentos de preços de alimentos e energia são sentidos imediatamente pelas populações e podem provocar protestos; a empresa afirma que o risco médio global de agitação social atingiu neste ano o nível mais alto em quase uma década. O ministro das Finanças da Nigéria advertiu que não enfrentar a desigualdade é como “sentar sobre pólvora”. O banco central do Marrocos destaca que o desemprego persistente amplia a distância entre os números macroeconômicos e a percepção popular.

Defensores das medidas afirmam que houve pouco alternativa: Simon Quijano-Evans, da Macro Hive, diz que sem ajustes muitos países correriam o risco de um “abismo” de perda de investimentos. As economias emergentes, hoje, crescem em torno de 4% ao ano, cerca do dobro do ritmo registrado nas economias avançadas — ganho que pode ser comprometido se as reformas forem revertidas e os fluxos de investimento secarem.

Em escala global, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou que a alta dos preços de combustíveis e alimentos, unida à redução da ajuda internacional, aumenta a pressão sobre países vulneráveis e pediu maior apoio às nações de baixa renda. O Banco Mundial estima que 1,2 bilhão de pessoas em países em desenvolvimento chegarão à idade ativa na próxima década, elevando dúvidas sobre a capacidade de geração de empregos suficiente.

Enquanto investidores e indicadores macroeconômicos mostram sinais de recuperação, a experiência cotidiana de comerciantes, trabalhadores e famílias em diversas nações revela que a transição ainda não trouxe alívio generalizado para o custo de vida.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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