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sábado, julho 4, 2026

Robô humanoide chinês com aparência hiper-realista é apresentado como companhia contra a solidão

A empresa chinesa UBTech lançou em Shenzhen o U1, um robô humanoide de aparência extremamente realista que a fabricante descreve como um “companheiro emocional” voltado para amenizar a solidão. Segundo a companhia, o U1 é “o primeiro robô humanoide em tamanho real do mundo com aparência ultrarrealista”. A apresentação, realizada no sul da China, teve cenografia com tom de ficção científica e contou com a participação do DJ norueguês Alan Walker.

O dispositivo, produzido pela marca UWorld, da UBTech, possui pele de silicone, voz suave e recursos de inteligência artificial. A empresa afirma que o robô pode permanecer na sala ouvindo o usuário 24 horas por dia e oferecer apoio verbal quando detecta sinais de cansaço ou estresse. Conforme a UBTech, o U1 também é capaz de identificar problemas de saúde, lembrar horários de medicação e sugerir roupas, e, com o tempo, vai aprendendo preferências do dono.

O executivo Michael Tam, diretor-geral da UWorld, disse à AFP que o humanoide promete “amor eterno”. A companhia aponta como público-alvo principalmente pessoas solteiras — estimadas em cerca de 120 milhões na China — e a população com mais de 60 anos, que soma aproximadamente 320 milhões, segundo Tam.

O robô tem autonomia de até quatro horas e permite movimentos de cabeça, olhos e boca, mas não foi projetado para tarefas domésticas como limpar, cozinhar ou passar roupa. A UBTech afirmou que, “por enquanto”, o U1 também não tem finalidade para relações íntimas. Há versões feminina, com 1,68 m, e masculina, com 1,83 m, e opções de personalização para se assemelhar a um parente, celebridade ou personagem fictício.

Os preços divulgados variam de 119.800 yuans (equivalente a cerca de R$ 91 mil) na versão básica até 990.000 yuans (aproximadamente R$ 753 mil) na configuração mais sofisticada. Críticos apontam riscos de dependência emocional e levantam preocupações sobre privacidade. Em resposta, a UBTech afirmou que os dados coletados são criptografados e não serão usados para treinar modelos de IA.

O relatório do banco Barclays citado pela empresa indica que a China liderava o desenvolvimento de robôs humanoides em 2025, respondendo por 85% dos equipamentos instalados globalmente. O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação informou que mais de 140 empresas chinesas lançaram, no ano passado, mais de 330 modelos de humanoides. A robótica figura como prioridade no plano quinquenal de Pequim para 2026–2030, e estudo do Morgan Stanley projeta que o mercado chinês de humanoides pode atingir US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,4 bilhões) neste ano e US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77,6 bilhões) em 2030. Fundada em 2012, a UBTech já atua no setor de robôs industriais e busca com o U1 abrir espaço no segmento de humanoides voltados ao consumidor.

G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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