Relatório do CEMPRE/IBGE mostra concentração de empregos e disparidade salarial entre setores
O relatório de Estatísticas do Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 24 de junho de 2026, indica que seis dos dez setores que mais empregam no Brasil apresentam remuneração média inferior à média nacional de R$ 3.932,45.
Os dez setores com maior número de assalariados somam mais de 48,9 milhões de trabalhadores com vínculo formal, o que corresponde a mais de 90% do total de assalariados no país. Entre essas atividades, o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas é o maior empregador, com quase 10 milhões de assalariados (18,2% do total), mas paga em média R$ 2.797,83 por mês — o quarto menor valor entre as categorias analisadas.
O ramo de atividades administrativas e serviços complementares reúne mais de 5,7 milhões de assalariados (10,6% do total) e tem salário médio de R$ 2.392,97, ficando acima apenas do setor de alojamento e alimentação, cujo rendimento médio é de R$ 2.080,17.
Em contraste, setores que concentram menos de 3% dos assalariados apresentam os maiores salários médios. Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, que representam cerca de 0,1% dos assalariados, têm remuneração média de R$ 9.678,61. O segmento de eletricidade e gás concentra aproximadamente 0,25% dos assalariados e paga, em média, R$ 8.539,07. Em seguida, o setor de atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados emprega cerca de 1,3 milhão de pessoas e tem salário médio de R$ 8.430,55.
O CEMPRE também mostrou que havia cerca de 10,6 milhões de empresas e outras organizações formais ativas no país em 2024, um aumento de 5,8% em relação a 2023. Essas organizações empregaram aproximadamente 68 milhões de ocupados no ano, sendo 54 milhões assalariados. O relatório esclarece a diferença entre os conceitos: o número de ocupados inclui todos os trabalhadores, inclusive donos de negócios, enquanto o total de assalariados considera apenas quem tem emprego formal e recebe salário.
Do total de empresas, 93% (cerca de 9,9 milhões) são de pequeno porte, com até nove funcionários; esse segmento registrou crescimento de 6,1% de um ano para o outro.
Em termos de escolaridade, trabalhadores com ensino superior representam 23,6% dos assalariados e recebiam, em média, R$ 7.776,59, enquanto os com formação até o ensino médio tinham remuneração média de R$ 2.742,41, valor cerca de R$ 5 mil inferior.
Por gênero, os homens tiveram salário médio de R$ 4.206,00 em 2024, 16,6% acima do recebido pelas mulheres, cuja média foi de R$ 3.608,04. Os homens também compunham a maior parte do pessoal ocupado assalariado, com 29,3 milhões de pessoas.
Na comparação regional, o Distrito Federal apresentou a maior remuneração média mensal, de R$ 6.845,13, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 4.501,35, e São Paulo, com R$ 4.423,04.
Fonte original: G1


