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sexta-feira, setembro 25, 2026

Setor sucroenergético critica tarifa de 25% dos EUA e diz que medida ignora realidade do mercado

Produtores brasileiros de açúcar e etanol reagiram com críticas à decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A medida, que deve entrar em vigor em 22 de julho de 2026, foi classificada pelo Itamaraty e representantes do setor como sem justificativa e com motivação política.

Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou que a nova tarifa não considera as diferenças na relação comercial entre os dois países. A entidade destacou que o açúcar brasileiro já enfrenta barreiras tarifárias e limites para acessar o mercado americano, enquanto, segundo a Unica, o Brasil não impõe restrições equivalentes ao etanol vindo dos Estados Unidos.

Dados citados pela Unica apontam que os EUA compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro em 2025, totalizando US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões), o que colocou o país como o segundo maior destino das exportações do combustível, atrás apenas da Coreia do Sul. No caso do açúcar, os EUA importaram 420 mil toneladas do Brasil em 2025, volume inferior às 1,12 milhão de toneladas embarcadas em 2024.

O USTR justificou a imposição da tarifa alegando práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil, acusação que o governo brasileiro rejeitou. Entre os argumentos apresentados pelos EUA está também a alegada dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol.

A União Nacional do Etanol de Milho (Unem) contestou essa linha, afirmando que a tarifa brasileira aplicada ao etanol importado segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não viola acordos bilaterais com os Estados Unidos. A entidade acrescentou que a redução nas importações de etanol dos EUA se deve à expansão rápida da produção doméstica de etanol de milho no Brasil, que aumentou a oferta interna e diminuiu a necessidade de compras externas.

O setor também ressaltou mudanças na matriz produtiva do país: tradicionalmente dominado pelo etanol de cana, o mercado brasileiro viu nos últimos anos um crescimento expressivo do etanol de milho.

Renato Cunha, presidente-executivo da associação NovaBio, avaliou que a nova tarifa demonstra a intenção dos Estados Unidos de ampliar vendas de etanol ao Brasil sem facilitar a entrada do açúcar brasileiro no mercado americano. “Eles querem vender etanol para um país que não precisa importar esse produto. Isso não é negociação, é imposição”, disse Cunha.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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