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domingo, junho 21, 2026

Site monitora jatos de bilionários para criar “sistema de alerta” sobre possíveis crises globais

Rastreador acompanha movimentação de jatos privados para identificar picos de saída das elites

O programador e artista Kyle McDonald, de Los Angeles, desenvolveu um sistema que monitora movimentos de jatos privados em todo o mundo com o objetivo de detectar, precocemente, indícios de inquietação entre as elites. Segundo McDonald, a ideia parte do princípio de que, em caso de ameaça extrema — como um ataque nuclear ou colapso social — pessoas com acesso a informação estratégica tendem a embarcar em aeronaves privadas antes da população em geral.

O projeto, chamado Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, usa sinais ADS-B captados por uma rede global de receptores de rádio para acompanhar cerca de 11 mil jatos privados e de fretamento. Esses dados fornecem posição, velocidade e altitude das aeronaves em tempo real. Em seguida, o sistema compara o número de aviões no ar a cada momento com uma linha de base histórica que considera padrões diários, semanais e feriados, gerando uma escala de alerta de 1 a 5.

O nível 1 representa um dia considerado normal; o nível 5 aponta atividade aérea superior a qualquer registro do ano anterior. Quando há um aumento súbito — definido por McDonald como mais de cinco desvios padrão acima da média — o sistema pode enviar notificações automáticas por Telegram, e-mail ou mensagem de texto.

McDonald afirma que a iniciativa ganhou forma após ler uma ameaça do então presidente Donald Trump contra o Irã, na qual ele advertia que uma “civilização inteira” poderia desaparecer caso não houvesse cessar-fogo. A declaração levou o desenvolvedor a questionar quem teria acesso antecipado a informações críticas e se esse acesso se refletiria em movimentos de fuga das elites.

Ao testar o modelo com dados históricos, McDonald encontrou como maior pico registrado o dia 6 de abril, coincidente com um ataque do Irã a alvos americanos e israelenses — resultado que o surpreendeu. Ele, porém, ressalta que um alerta alto não é prova científica de um evento apocalíptico: picos também podem ocorrer por motivos banais, como férias de Natal ou grandes eventos políticos que mobilizam deslocamentos de pessoas ricas.

O rastreador também virou produto: cerca de 2,5 mil pessoas se inscreveram para receber alertas, a maioria gratuitamente via Telegram; parte paga US$ 5 por ano para receber mensagens por SMS ou e-mail. McDonald calcula que metade de sua renda vem de consultoria para empresas de tecnologia e artistas, e a outra metade de exposições na Europa e no Leste Asiático. Ele afirma pagar a si mesmo um salário anual de US$ 60 mil (aproximadamente R$ 305 mil) e reinvestir o restante em projetos.

Nos últimos 18 meses, McDonald tem usado técnicas apelidadas de “vibe coding”, onde orienta ferramentas de inteligência artificial que escrevem grande parte do código. Entre projetos anteriores estão aplicativos para rastrear helicópteros do Departamento de Polícia de Los Angeles e ferramentas de reconhecimento facial para identificar agentes de segurança — iniciativas que geraram cobertura, críticas e ameaças.

O trabalho de McDonald é discutido em paralelo com reflexões do escritor Douglas Rushkoff, citado pelo The Washington Post, que documenta como alguns ultrarricos se preparam para cenários de colapso social no livro Survival of the Richest. Para Rushkoff, o rastreador funciona menos como um detector de catástrofes e mais como um termômetro do medo das elites. McDonald, por sua vez, prefere tratar o projeto com humor e descreve-o ao mesmo tempo como intervenção conceitual, obra de arte e serviço de software.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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