O mercado mundial da soja enfrenta pressão devido à ampla oferta, enquanto a valorização do óleo de soja tem servido como suporte para preços e margens da indústria. O cenário é descrito no relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca a combinação da safra recorde brasileira e do avanço do plantio nos Estados Unidos como determinantes da atual dinâmica do setor.
Na Bolsa de Chicago, os contratos de soja permaneceram praticamente estáveis em abril, com média de US$ 11,67 por bushel, uma queda de 0,4% na comparação com março. A produção brasileira, estimada em 180 milhões de toneladas, figura entre os principais fatores que ampliam a oferta global e pressionam os preços recebidos pelos produtores.
Clima e suas implicações no mercado agrícola
O plantio nos Estados Unidos evoluiu rapidamente, mas o clima segue como variável relevante para o desempenho das lavouras. No Brasil, irregularidade nas chuvas e estresse hídrico em áreas como Goiás e Minas Gerais podem comprometer o desenvolvimento da segunda safra de milho. Em contrapartida, as condições climáticas nos EUA permanecem favoráveis para a cultura da soja.
O relatório também aponta a possibilidade de ocorrência de um evento de El Niño entre maio e julho, o que traz preocupação ao setor por potencialmente alterar padrões climáticos globais. O monitoramento dessas condições é apontado como essencial para produtores interessados em reduzir riscos e otimizar a produtividade.
O óleo de soja destacou-se no mercado internacional em abril, com valorização média de 6%, chegando a 69,7 centavos de dólar por libra-peso. Esse movimento elevou as margens de esmagamento e melhorou a rentabilidade da indústria processadora tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No mercado interno, em Mato Grosso, o preço do óleo de soja fechou abril cotado em R$ 6.066 por tonelada, registrando alta de 4% no mês. Esse desempenho do óleo tem mitigado, em parte, os efeitos da pressão sobre os preços da soja em grão.
Quanto à comercialização da safra brasileira, 55% da produção projetada havia sido negociada até abril, segundo o relatório. Produtores têm acelerado as vendas para garantir liquidez e cumprir compromissos financeiros.
Por fim, o documento ressalta que as relações comerciais entre Estados Unidos e China continuam a exercer influência sobre o fluxo global de soja, podendo afetar preços e a dinâmica do mercado nos próximos meses.


