O economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel em Economia de 2001 e professor da Universidade Columbia, afirmou em entrevista à BBC News Brasil que os benefícios do sistema de pagamentos brasileiro PIX são provavelmente muito superiores aos prejuízos causados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo Stiglitz, as medidas americanas têm motivação política e visam punir países que buscam maior autonomia tecnológica e financeira.
Quem, o que e por quê
Stiglitz disse que a administração do ex-presidente Donald Trump se opõe à ideia de o Brasil desenvolver um sistema de pagamentos independente de grandes empresas estrangeiras, como Visa e Mastercard, e que incluir o PIX entre os argumentos para tributar exportações brasileiras atende a interesses corporativos americanos. Na avaliação do economista, a justificativa oficial relacionada ao combate ao trabalho forçado é, em grande parte, uma capa política.
Quando, onde e como
Em entrevista concedida recentemente à BBC News Brasil, Stiglitz apontou que as tarifas fazem parte de uma estratégia mais ampla de pressão comercial adotada por Washington contra países que não capitulam a exigências políticas. Ele lembrou episódios em que o governo dos Estados Unidos aplicou tarifas e observou decisões judiciais internas que questionaram a legalidade de medidas similares anteriores.
Impacto econômico e rearranjo comercial
O Nobel avaliou que, do ponto de vista econômico, os efeitos diretos dessas tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados porque uma parte significativa das exportações brasileiras é composta por commodities. Nessas situações, explicou, as cargas tarifárias costumam provocar redirecionamento das vendas para outros mercados, gerando um rearranjo nos fluxos internacionais sem, necessariamente, um impacto econômico devastador para o país.
Consequências geopolíticas
Stiglitz advertiu ainda que a tática tarifária americana pode enfraquecer a posição dos Estados Unidos e favorecer o fortalecimento da China na economia global, ao minar a confiabilidade dos EUA como parceiro comercial. Ele também criticou a postura de líderes e entidades que, segundo ele, capitularam a pressões políticas e elogiou o Brasil por resistir a essa pressão.
O economista afirmou que a utilização de tarifação como instrumento político e a invocação de normas como a Seção 301 têm sido tratadas por tribunais e gerado questionamentos legais, com decisões anteriores que declararam ilegais medidas semelhantes.
Leia o artigo original em G1: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/29/beneficios-do-pix-superam-custos-impostos-ao-brasil-pelas-tarifas-de-trump-diz-nobel-de-economia.ghtml


