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quarta-feira, outubro 28, 2026

Super-ricos emitem mais carbono que

Um relatório da Oxfam conclui que os 0,1% mais ricos da população global, estimados em aproximadamente 8 milhões de pessoas, geram mais emissões de carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres. O documento, divulgado antes da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que ocorrerá na Turquia entre 9 e 20 de novembro de 2026, afirma que esse grupo contribui desproporcionalmente para a crise climática, consegue atenuar parte dos efeitos e ainda obtém lucro com os desastres decorrentes das mudanças no clima.

Segundo a Oxfam, uma pessoa integrante do 0,1% mais rico tende a contribuir quase 400 vezes mais para as ondas atuais de calor extremo do que alguém da metade mais pobre da população mundial. A análise também estima que um único ano de emissões do 1% mais rico seria responsável por cerca de 1,9 milhão de mortes adicionais relacionadas ao calor, sendo 78% dessas mortes em países de baixa e média-baixa renda, regiões que respondem por apenas 8% das emissões globais.

O relatório destaca ainda projeções econômicas e sociais: as emissões do 1% mais rico podem acarretar quase US$ 53 trilhões em prejuízos econômicos até 2050 e provocar o deslocamento de até 1 bilhão de pessoas, com a maioria afetada no Sul Global.

A Oxfam aponta que os super-ricos têm maior capacidade de proteção e adaptação, por meio de investimentos em bunkers de alta tecnologia, contratação de equipes privadas para combate a incêndios e acesso a seguros privados, enquanto também lucram com atividades ligadas à resposta e à reconstrução após desastres.

O novo índice Destroy & Rebuild (Destruir e Reconstruir), criado pela organização, identificou 217 empresas que obtêm ganhos simultâneos em setores que impulsionam a crise climática e em operações de preparação, resposta, recuperação e reconstrução após eventos extremos.

Recomendações

A Oxfam recomenda que grandes poluidores paguem e reduzam rapidamente suas emissões. Entre as medidas apontadas pela organização estão a implementação de impostos sobre patrimônio e renda, tributação de empresas de combustíveis fósseis e a cobrança de tributos punitivos sobre bens de luxo altamente poluentes, como jatos privados.

A entidade defende ainda o aumento do financiamento climático destinado ao Sul Global, priorizando recursos públicos e doações em vez de empréstimos que aumentem o endividamento. A Oxfam pede que os recursos para adaptação climática sejam triplicados até 2035.

Outras recomendações incluem o fortalecimento de infraestrutura pública resiliente e serviços públicos, e a limitação do papel lucrativo de corporações em áreas como resposta a emergências, reconstrução e sistemas alimentares durante crises, para evitar que os desastres sejam explorados em políticas que ampliem desigualdades, como privatizações, apropriação de terras e desregulamentação.

O relatório ressalta que, na visão da Oxfam, a crise climática não representa um destino compartilhado igualmente: os que menos contribuíram estão sofrendo os piores impactos enquanto uma minoria concentra emissões, proteção e ganhos econômicos.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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