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quinta-feira, outubro 1, 2026

Tarifaço dos EUA reduz vendas de empresas brasileiras e força busca por novos mercados

Empresas brasileiras vêm sentindo no fluxo de caixa o efeito do aumento de tarifas aplicado pelo governo dos Estados Unidos em 2026. Em setores de manufatura e máquinas, relatos variam de quedas de 60% nas vendas para o mercado americano a perda total de clientes nos EUA.

João Baroni, diretor‑geral da Engemasa, afirma que o mercado americano representava 40% do faturamento da empresa em 2025 e, em 2026, passou a representar zero. Ele acrescenta que, além do aumento das tarifas, clientes relatam falta de previsibilidade nas compras de equipamentos, o que ameaça negócios cultivados por décadas.

Na Utilinox, responsável por máquinas e equipamentos industriais, o diretor José Neto diz que alguns produtos tiveram retração de 60% nas vendas para os Estados Unidos. O executivo atribui parte do choque ao início das medidas tarifárias no começo do ano, quando entrou em vigor uma alíquota de 50% sobre aço e alumínio prevista pela Seção 232.

Reações e negociações

O governo brasileiro marcou reunião sobre as tarifas com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na segunda (31). Autoridades brasileiras e o representante americano retomaram negociações nesta quarta-feira, segundo empresários, porém o encontro foi descrito como reinício das conversas, sem decisões concretas até o momento.

Estratégias e alternativas

Especialistas ouvidos defendem que, no médio e longo prazo, é necessário fortalecer o mercado interno e a indústria para recuperar competitividade. Breno Grou, CEO da Sinter, diz que uma reorganização do comércio internacional pode abrir espaço para fornecedores brasileiros em alguns mercados, mas empresas afetadas precisam buscar novos clientes e redirecionar produção — processo que pode ser lento, em especial para pequenas e médias empresas com menor caixa e menor presença internacional.

Para mitigar o impacto imediato, empresários e entidades recomendam diversificação de mercados. João Dmitruk, presidente da Câmara Setorial da ABIMAQ, considera essa alternativa um paliativo necessário. A ApexBrasil informou que cerca de 72% das 2,4 mil empresas atendidas que vendem para os EUA já começaram a atuar em ao menos um destino adicional.

Mercados apontados como alternativas incluem países da América Latina, Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China. As exportações brasileiras para a China cresceram 15% entre janeiro e agosto de 2026, totalizando US$ 77,07 bilhões (R$ 393,057 bilhões); o crescimento registrado para a União Europeia foi também de 15%, com US$ 37,29 bilhões (R$ 190,17 bilhões).

Desafios estruturais

Especialistas alertam que a diversificação de destinos não resolve questão estrutural da indústria brasileira. Higor Borges, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Limpeza, e outros analistas destacam a necessidade de medidas que preservem a competitividade industrial. Dados da CNI mostram que a indústria de transformação caiu de 35,9% do PIB em 1985 para 13,7% em 2025, e o Brasil recuou do 29º lugar em complexidade econômica em 1995 para a 78ª posição em 2024.

Apoio do governo

O governo anunciou medidas de apoio para dar fôlego às empresas. O plano Brasil Soberano, na terceira etapa, prevê R$ 22,6 bilhões para auxiliar companhias; a ApexBrasil destinou R$ 210 milhões a 35 setores para identificar mercados e realizar estudos. Do total do Brasil Soberano, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro e R$ 9,1 bilhões do BNDES.

Outras ações citadas incluem ampliação do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), expansão do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) — com R$ 2,2 bilhões ao Proex Financiamento e R$ 1,28 bilhão ao Proex Equalização em 2026 — e prorrogação por um ano dos prazos do regime de drawback para empresas afetadas.

Pesquisadores e representantes do setor afirmam que essas medidas são importantes no curto prazo, mas não substituem uma estratégia de desenvolvimento industrial de longo prazo, voltada à inovação e à competitividade.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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