A qualidade do algodão usado pela indústria da moda está diretamente ligada às práticas agrícolas adotadas no campo, segundo especialistas. No Brasil, o emprego de tecnologia e manejo adequado é apontado como fator determinante para características como maciez e durabilidade da fibra, com impacto na cadeia têxtil e na economia regional.
O país figura como o terceiro maior produtor mundial de algodão e exporta para mais de 150 países. Dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que a cotonicultura movimenta cerca de R$ 33 bilhões, consolidando-se entre as principais culturas temporárias do Brasil.
Tecnologia no campo define qualidade da fibra e competitividade do setor
Especialistas destacam que a qualidade da fibra começa já no plantio, quando a precisão nas operações é essencial para elevar a produtividade. O uso de maquinário agrícola moderno tem ganhado espaço, especialmente em regiões como o oeste da Bahia, considerado um dos maiores polos produtores do país.
Leonardo Casali, coordenador de Marketing de Produto da Fendt, ressalta que a eficiência no campo resulta da combinação entre tecnologia e gestão de custos. Ele afirma que, devido ao elevado custo de plantio, é imprescindível maximizar a produtividade e reduzir desperdícios para manter a competitividade.
O plantio de precisão, que evita sobreposição de sementes e garante profundidade adequada, contribui para lavouras mais uniformes e com menor competição entre plantas, o que favorece o desenvolvimento e gera fibras de melhor qualidade.
Pulverização e automação: pilares da cotonicultura moderna
A pulverização é apontada como etapa crítica na produção de algodão, dada a sensibilidade da cultura. Ao longo do ciclo, são aplicados mais de 20 tratamentos com defensivos, o que torna comuns os pulverizadores autopropelidos de alta performance, capazes de reduzir perdas e aumentar a eficiência das aplicações.
A automação nas máquinas agrícolas tem otimizado a aplicação de insumos, elevando a precisão e a uniformidade das operações. Especialistas estimam que ganhos na eficiência da pulverização podem aumentar a produtividade em até 10%, reflexo direto na qualidade do produto final.
Com a adoção dessas tecnologias, o produtor melhora sua produtividade e acrescenta valor ao algodão fornecido à indústria têxtil global. A relação entre inovação no campo e padrão da fibra reforça o papel estratégico do agronegócio brasileiro no mercado internacional da moda, beneficiando produtores e consumidores.
Fonte: Uberlandianofoco


