Reações variadas marcam provas do Encceja aplicadas em 23 de agosto de 2026
Os temas de redação do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2026, aplicado no domingo, 23 de agosto, provocaram reação intensa entre os participantes. Candidatos ao certificado do ensino fundamental foram avaliados com a proposta sobre a “importância do endereço como direito dos cidadãos”, enquanto os do ensino médio tiveram de desenvolver um texto sobre “caminhos para garantir os direitos do consumidor”.
Nas redes sociais, muitos inscritos expressaram frustração e surpresa com as propostas. Publicações na plataforma X indicaram angústia e insatisfação: houve relatos de vontade de chorar, críticas ao tema do ensino médio como “demoníaco” ou “porcaria” e comentários de quem não conseguiu produzir mais do que 15 linhas.
Na edição anterior do Encceja, os temas haviam sido “A importância das creches para a sociedade brasileira” (ensino fundamental) e “Estratégias para enfrentar o vício em apostas na internet” (ensino médio).
Segundo a Cartilha do Participante do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os temas do exame devem apresentar relevância social, conexão com questões éticas, foco em um problema específico e estímulo à proposição de ações de enfrentamento. No caso do ensino médio, a proposta de intervenção com ações práticas respeitando os direitos humanos é obrigatória.
Com base nesses critérios, especialistas ouvidos afirmam que os temas de 2026 alinhavam-se às matrizes de referência do Encceja ao destacar problemas sociais — como a ausência de moradia adequada e questões ligadas à proteção do consumidor — e ao possibilitar a argumentação com repertório sociocultural, além de referências legais, como a Constituição Federal de 1988 e o Código de Defesa do Consumidor.
A professora Marina Rocha, do Curso Skued e do Curso Raio-X, avaliou que a estrutura temática do exame não foi alterada e que o tema sobre direitos do consumidor é atual, especialmente diante do crescimento do comércio eletrônico. Ela acrescentou que, para julgar com precisão o grau de dificuldade e a orientação esperada, é necessário analisar os textos de apoio incluídos na prova.
O Inep tem até dez dias para divulgar a coletânea de textos que acompanharam a redação; esses documentos costumam indicar o recorte e o foco sugerido para a produção dos candidatos. Ainda segundo Marina Rocha, a proposta sobre “endereço” é ampla e pode abarcar tanto a falta de moradia quanto aspectos como CEP, localização e preconceito ligado ao lugar de moradia.
Fonte: G1


