Testemunhas relatam falhas em recursos do Instagram durante julgamento nos EUA
Na terça-feira (25 de agosto de 2026), testemunhas afirmaram em tribunal que a Meta tinha conhecimento de que funções do Instagram destinadas a proteger menores de idade não eram efetivas. O depoimento ocorreu no julgamento em que 29 estados dos Estados Unidos acusam a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp de omitir os riscos das suas plataformas.
O processo, em curso na Califórnia e com previsão de se estender até o fim de setembro, reúne documentos internos apresentados ao júri que mostram taxas de uso muito baixas para ferramentas de segurança. Entre os dados exibidos estão a adesão de 1,8% a um recurso de lembretes para interromper a rolagem do feed e 8,7% para um modo que silencia notificações durante a noite.
Francesco Fogu, diretor de design de produto do Instagram, declarou em interrogatório que não poderia confirmar os números divulgados, mas reconheceu que a empresa “sabia que as taxas de adoção seriam menores” quando as opções não estavam ativadas por padrão. A juíza Yvonne Rogers, responsável por proferir a decisão final com base no veredito do júri, demonstrou surpresa diante do desconhecimento de Fogu sobre os dados internos. Em alguns momentos, o diretor mostrou postura combativa frente a perguntas de um dos advogados dos estados.
Ex-funcionários ouvidos no tribunal também apontaram limitações nas ferramentas. Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia da Meta, afirmou que “Take a Break é uma função desenvolvida para falhar”. Já o cientista de dados George Volichenko, que trabalhou em recursos de segurança do Instagram entre 2022 e 2023, definiu as taxas de adoção como “muito baixas e decepcionantes” e disse que a liderança da empresa não demonstrou empenho em incentivar o uso dessas opções.
De acordo com Volichenko, a diretoria da Meta não aprovou a ativação automática do modo silencioso para adolescentes mais jovens, o que comprometeu sua difusão, já que a função não era facilmente encontrada no aplicativo. Ele também indicou que ativar os recursos por padrão teria “um impacto negativo considerável” na interação dos usuários.
Os estados que movem a ação sustentam que, com mais de 3 bilhões de usuários no mundo, a Meta projetou produtos que viciam crianças e coletam seus dados. A acusação ressalta que o modelo de negócios da empresa depende da venda de publicidade e se beneficia quando as pessoas passam mais tempo nos aplicativos.
Fonte: G1


