Resumo dos incidentes
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios no período entre 30 de setembro e 7 de outubro de 2026 em diferentes prédios do campus da Cidade Universitária, no Recife. Não houve feridos nas três ocorrências. Até o momento, não há comprovação de que os episódios estejam relacionados entre si e as causas seguem sendo investigadas.
30 de setembro: laboratório de Física
O primeiro incêndio ocorreu na tarde de 30 de setembro de 2026 em um laboratório do Departamento de Física, no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). A UFPE informou que a hipótese inicial é de que o fogo tenha começado em um forno mufla durante a manipulação de um produto químico, por volta das 13h30. Funcionários tentaram apagar as chamas com extintores, mas o Corpo de Bombeiros precisou ser acionado. A área foi isolada devido à fumaça e à presença de substâncias diversas; houve danos à tubulação e a energia foi desligada para avaliação estrutural. O laboratório foi perdido e o levantamento dos prejuízos está em andamento.
4 de outubro: Centro de Biociências
Em 4 de outubro, parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências, foi atingida pelo fogo. Não houve vítimas, mas ocorreram danos materiais. A UFPE não divulgou causas que conectem esse incêndio ao ocorrido no Departamento de Física. O laboratório desenvolve trabalhos em citogenética vegetal, genética de populações, filogeografia, evolução de plantas, análises moleculares, sequenciamento de DNA e citometria de fluxo.
7 de outubro: incêndio de maior impacto
O terceiro incêndio, considerado o mais grave, começou na noite de 7 de outubro, por volta das 20h, em um prédio próximo à Casa do Estudante. O Corpo de Bombeiros controlou as chamas no fim da noite com apoio de cinco viaturas. A UFPE informou que o fogo se alastrou rapidamente em razão dos tipos de produtos armazenados no local. O prédio havia sido adaptado para abrigar laboratórios de fármacos, genética, inovação terapêutica e informática, com pesquisas sobre câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo, além de dois laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3) no térreo.
O reitor Alfredo Gomes afirmou que os laboratórios do primeiro andar “perderam absolutamente tudo” e estimou o prejuízo com equipamentos, insumos e materiais nesse andar em cerca de R$ 100 milhões, valor que não inclui o térreo nem os outros dois incêndios que ainda são contabilizados. Segundo o reitor, cerca de 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado estavam sendo desenvolvidas no local e o prédio guardava dados de 20 anos de pesquisa, perdas qualificadas como irreparáveis.
Investigações e medidas
A universidade informou que acionou a Polícia Federal para investigar o terceiro incêndio e que a perícia está em andamento; o reitor declarou não ter “nenhuma ideia específica” sobre a origem do fogo ocorrido na quarta-feira. A Advocacia-Geral da União (AGU) determinou a formação de uma comissão de procuradores para acompanhar as apurações. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, programou visita à instituição na tarde de 8 de outubro.
A proximidade temporal entre os incêndios motivou atenção pública, especialmente após manifestações estudantis realizadas na universidade. O deputado federal Jones Manoel (PSOL) relatou que estudantes teriam recebido mensagens de ameaça antes do último incêndio e pediu investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A autenticidade das mensagens e eventual relação com os casos ainda não foram confirmadas pelas autoridades.
Fonte: G1


