Quem: O dublador Kenjiro Tsuda, conhecido por trabalhos em franquias como “Jujutsu Kaisen” e “Yu-Gi-Oh!”, e a plataforma TikTok.
O quê: Um tribunal de Tóquio decidiu que a voz humana conta com proteção legal no Japão em processo que questiona o uso de uma suposta clonagem vocal feita por inteligência artificial em vídeos publicados no TikTok.
Quando e onde: A decisão foi proferida nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, no tribunal de Tóquio.
Como: Tsuda ajuizou ação contra o TikTok alegando que alguns vídeos na plataforma continham reproduções artificiais de sua voz sem autorização. A juíza responsável, Aya Takahashi, reconheceu que “o uso não autorizado da voz de um intérprete (…) pode ser considerado uma violação dos direitos de imagem”.
Resultado: A sentença representou uma vitória parcial para o dublador, ao estabelecer proteção jurídica para a voz humana em situações envolvendo imitações geradas por IA. No entanto, o tribunal rejeitou o pedido formulado por Tsuda para que os vídeos identificados fossem removidos do TikTok.
A controvérsia ocorre em meio a uma preocupação crescente de artistas e profissionais da indústria do entretenimento sobre a geração automática de vozes por meio de tecnologias de inteligência artificial. No Japão, onde a indústria de animação tem longa tradição e muitos dubladores são fortemente identificados com seus personagens, o tema ganhou destaque e levou ao que é apontado como o primeiro processo no país voltado à defesa da identidade vocal contra cópias produzidas por IA.
O caso também coloca em evidência questões sobre direitos de imagem e proteção de intérpretes frente ao avanço de ferramentas capazes de replicar timbres e entonações humanas sem consentimento. Apesar do reconhecimento judicial da proteção da voz, a negativa à remoção dos vídeos sinaliza que há limites práticos e legais ainda em debate sobre medidas concretas contra conteúdos gerados por IA.


