O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou, na quinta-feira (16), a ampliação do Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação ao firmar acordos com grandes plataformas digitais e, pela primeira vez, com empresas do setor de inteligência artificial. A iniciativa tem como objetivo proteger o processo eleitoral de 2026 contra informações falsas que possam pôr em dúvida as urnas eletrônicas ou a legitimidade do sistema de votação.
Quem: O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, conduziu a assinatura dos memorandos de entendimento. Entre os signatários, estão as plataformas Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn, além das empresas de IA ElevenLabs, OpenAI e Anthropic.
O que e por que: Segundo a Corte, a parceria busca criar mecanismos mais eficazes para controlar o fluxo de informação no ambiente digital, sobretudo diante do avanço das tecnologias de inteligência artificial. O tribunal apontou que as eleições de 2026 serão as mais digitalizadas da história do país, o que demanda respostas técnicas e legais mais robustas.
Modelo de colaboração
A estratégia de cooperação foi definida como uma “governança pragmática”, com divisão de responsabilidades entre as partes. As empresas ficarão incumbidas de desenvolver e aplicar soluções operacionais para detectar e conter abusos em suas plataformas. Já a Justiça Eleitoral oferecerá o respaldo jurídico necessário para que essas ações de moderação e remoção de conteúdo possam ser realizadas no combate àquilo que o TSE classifica como “mentira deliberada”.
Principais focos das medidas
Os memorandos detalham os principais pontos de atuação conjunta:
- Moderação e remoção de conteúdo: o TSE garantirá segurança jurídica às plataformas para a retirada de publicações que ataquem a integridade das urnas ou disseminem informações falsas deliberadas.
- Mitigação de comportamentos fraudulentos: as parceiras de tecnologia e de IA trabalharão em soluções técnico-operacionais para identificar e minimizar padrões de atuação coordenada e fraudulenta; o acordo não especifica se isso inclui banimento permanente de contas.
- Medidas customizadas: as ações serão ajustadas conforme o perfil e a área de atuação de cada plataforma ou empresa de IA.
- Base legal futura: o respaldo para intervenções dependerá de decisões e resoluções da Corte Eleitoral, que poderão detalhar sanções mais rigorosas.
O TSE destacou que a cooperação visa resguardar o ambiente de debate público e proteger os direitos de candidatos e eleitores, reafirmando compromisso com a transparência para os 155 milhões de eleitores brasileiros.
A notícia encerra com a formalização desses acordos e a expectativa de que a soma de esforços tecnológicos e jurídicos contribua para reduzir a circulação de informações enganosas no período eleitoral.


