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sábado, junho 20, 2026

Uberlândia acolhe cerca de 6 mil imigrantes e refugiados de 123 nacionalidades

Uberlândia se tornou destino de milhares de pessoas que deixam seus países por guerras, crises econômicas, fome e perseguições. Estima-se que cerca de 6.000 imigrantes e refugiados de 123 nacionalidades vivam hoje no município, tornando a cidade um dos principais polos de acolhimento em Minas Gerais.

Quem vem e por que

A comunidade venezuelana é a mais numerosa, seguida por haitianos. Também há pessoas vindas de países como Cuba, Irã, Iraque e Síria. Segundo Kelly Pereira, coordenadora da ONG Refugiados UDI, grande parte dos migrantes chega ao Brasil fugindo de “fome, violência, perseguição política ou de crises econômicas severas”. Ela afirma que muitos chegam sem recursos, sem falar português e sem rede de apoio.

Rede de apoio e ações locais

A ONG Refugiados UDI oferece suporte para regularização documental, moradia, inserção no mercado de trabalho, doações de roupas e alimentos e aulas de português. As atividades de ensino de língua portuguesa ocorrem aos sábados no bairro Tibery, com apoio da Cátedra Sérgio Vieira de Mello da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Universidade e políticas de inclusão

A UFU instituiu a Resolução Consun nº 36, que reserva vagas e simplifica processos de ingresso para refugiados, imigrantes em situação de vulnerabilidade, apátridas e beneficiários de visto humanitário, além de facilitar a revalidação de diplomas obtidos no exterior. A medida integra as ações da Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM), programa apoiado pelo ACNUR e presente em 55 universidades brasileiras.

Marriele Maia, coordenadora da Cátedra na UFU, afirma que o objetivo é ampliar o acolhimento além do acesso à educação, com políticas ligadas à documentação, saúde, combate à violência contra a mulher migrante, ensino de português, pesquisa e apoio à integração local.

Dados e desafios estatísticos

Dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra) da Polícia Federal indicam 809 novos imigrantes internacionais em Uberlândia em 2025, contra 637 em 2024. No acumulado histórico, a estimativa é de cerca de 6.000 refugiados de 123 etnias, com 1.620 venezuelanos e 1.356 haitianos registrados.

O ACNUR informou em seu Relatório de Tendências Globais que 117,8 milhões de pessoas estão em deslocamento forçado no mundo e que 70% permanecem em exílio por anos, muitas vivendo abaixo da linha da pobreza. Segundo a agência, o Brasil registrou aumento de 11% em pedidos de asilo, recebeu cerca de 2 milhões de migrantes e tem mais de 156 mil pessoas reconhecidas formalmente como refugiadas.

Refugiado e imigrante: diferenças jurídicas

O texto destaca que refugiado e imigrante não são termos equivalentes: refugiado é quem foi forçado a deixar o país por ameaças à vida, liberdade ou segurança (perseguições, conflitos armados, violações de direitos humanos) e conta com proteção internacional e na legislação brasileira. Imigrante é quem migra voluntariamente, geralmente por trabalho, estudo ou reunificação familiar, podendo retornar ao país de origem.

Na prática, ambos enfrentam problemas semelhantes de acesso a moradia, emprego, educação e serviços públicos, motivo pelo qual especialistas e organizações defendem políticas específicas de inclusão.

Pesquisas e lacunas no acolhimento

Estudos desenvolvidos na UFU apontam dificuldades na integração. Luara Dias dos Santos analisou a inserção de crianças indígenas Warao na rede pública, identificando desafios culturais e de adaptação escolar. Joana D’arc Moreira pesquisou o acesso a serviços por mulheres beneficiárias de visto humanitário e descreveu vulnerabilidades agravadas por questões de gênero. Catarine dos Santos West mapeou políticas afirmativas para o ingresso de refugiados em universidades públicas.

Marriele Maia observa que muitas violações de direitos ocorrem pela falta de preparo dos serviços públicos para lidar com diversidade, e não necessariamente por discriminação deliberada.

Legislação municipal e casos concretos

Em 2023 foi protocolado na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 1.858, que propunha a criação da Política Municipal para a População Migrante, Refugiada, Apátrida e Retornada, visando ampliar acesso a serviços, combater xenofobia e especializar atendimentos. O projeto não foi aprovado.

A trajetória pessoal do venezuelano Josué Zurita ilustra os desafios: após quase oito anos no Peru, recebeu diagnóstico de câncer em estágio avançado, sobreviveu, retornou à Venezuela e enfrentou extrema dificuldade para alimentar a família. Com US$ 200, migrou ao Brasil, passou por Curitiba e chegou a Uberlândia, onde trabalhou na construção civil, dormiu no chão por dois meses e, com o emprego, voltou a sustentar a família.

Considerações finais

Organizações e a Cátedra Sérgio Vieira de Mello defendem o fortalecimento de políticas públicas locais para garantir que migrantes e refugiados tenham acesso a educação, saúde, emprego e direitos básicos, tornando possível a reconstrução da vida com dignidade.

Leia a matéria original em Paranaibamais.

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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