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segunda-feira, junho 22, 2026

UE diz oferecer proposta mais vantajosa ao Brasil na competição por minerais críticos

União Europeia busca parceria com Brasil para processamento local de terras raras

A União Europeia tem apresentado ao Brasil uma oferta que considera mais vantajosa do que a de outros concorrentes na disputa por minerais críticos, afirmou o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela. A declaração foi dada à Reuters durante visita, no sábado, ao centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG).

Síkela disse que a abordagem europeia prioriza a sustentabilidade e incentiva o processamento local dos minerais, alinhando-se a uma diretriz do governo brasileiro de produzir e exportar minerais já processados, para agregar tecnologia e maior valor à cadeia produtiva. Segundo o comissário, isso permitiria ao Brasil deixar de lado negócios de baixa margem e desenvolver capacidade de refino e novas tecnologias no país.

O piloto da Viridis, inaugurado em maio, processa 100 kg de minério por hora e tem potencial para gerar até 2,92 kg por ano de carbonato misto de terras raras (MREC). A empresa planeja investir US$ 360 milhões para erguer uma planta comercial com capacidade anual de 15 mil toneladas de MREC a partir de 2028. O projeto Colossus, em Minas Gerais, reúne 228,62 km² em licenças.

Em relação a parcerias industriais, Síkela destacou a carta de intenções assinada neste mês entre a Viridis e a química belga Solvay, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para cooperação tecnológica no processamento. O presidente-executivo da Viridis, Rafael Moreno, afirmou à Reuters que as conversas com a UE sobre apoio ao projeto avançam e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho.

Moreno também indicou que a União Europeia pode contribuir com financiamento e mecanismos de proteção de preços para reduzir riscos e garantir competitividade, citando a importância de um preço mínimo para viabilizar o negócio. Síkela, por sua vez, afirmou que o papel da UE é oferecer suporte político e instrumentos de mitigação de riscos para mobilizar investimento privado, sem substituir o capital do setor privado.

O movimento da Viridis no Brasil ocorre em meio a uma corrida global por terras raras e outros minerais críticos, enquanto países europeus e os Estados Unidos buscam reduzir dependência da China, maior produtora desses materiais, usados em carros elétricos e sistemas de defesa. Síkela disse que a estratégia da UE visa diminuir “dependências” na cadeia global de suprimentos e apontou que, além das terras raras, o bloco vê projetos prioritários no Brasil envolvendo níquel e lítio.

A Comissão Europeia e o governo brasileiro discutem avançar em um memorando de entendimento sobre o tema, com detalhes ainda em negociação, segundo o comissário. Síkela acrescentou que a proposta europeia destaca criação de empregos, educação e padrões ambientais, sociais e de governança.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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