Parlamento Europeu veta uso de expressão “carne vegetal” em rotulagem
O Parlamento Europeu aprovou, em 16 de junho de 2026, uma norma que impede produtos à base de plantas de utilizar a expressão “carne vegetal” em sua rotulagem, segundo reportou a agência France Presse. A medida foi justificada pelos legisladores como uma forma de proteger os pecuaristas do bloco.
Apesar da restrição, a legislação aceita denominações como “hambúrguer vegetariano” e “salsicha vegetal”, resultado de um acordo firmado em março entre deputados europeus e representantes dos Estados-membros. A proibição ainda depende da ratificação final pelos governos nacionais para entrar em vigor de modo definitivo.
O texto vetado limita o emprego da palavra genérica “carne” e proíbe também o uso de uma lista de termos relacionados a espécies animais, entre eles “vitela”, “porco”, “frango”, “peru”, “pato” e “cordeiro”. A norma define explicitamente carne como “partes comestíveis de animais” e estende a proibição a produtos cultivados em laboratório ou a partir de células animais.
Produtores rurais comemoraram a aprovação. A deputada francesa Celine Imart, produtora de cereais e integrante do espectro conservador, afirmou que a medida beneficia os agricultores, reconhece sua experiência e garante maior transparência para os consumidores.
Representantes do comércio varejista de alimentos na Alemanha — o maior mercado europeu para alternativas vegetais — se posicionaram contra a proibição, assim como grupos ambientalistas e organizações de defesa do consumidor. O músico Paul McCartney também chegou a manifestar apoio a produtos como bifes de soja e salsichas de tofu.
Segundo a organização europeia de consumidores BEUC, o consumo de substitutos vegetais para itens tradicionalmente à base de carne cresceu cinco vezes na União Europeia desde 2011, impulsionado por preocupações com o bem‑estar animal, os impactos ambientais da pecuária e questões de saúde.
A norma terá aplicação inicial prevista até o final do próximo ano. Para o período seguinte, permanecem em andamento negociações relacionadas à organização comum de mercado da UE para produtos agrícolas, que é revista a cada sete anos.
A decisão ainda não encerra o debate, que segue em discussão entre legisladores, agentes do setor e grupos de interesse.
Fonte: G1


