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sexta-feira, agosto 14, 2026

Uso de telas por crianças está mais ligado ao estresse dos pais do que ao comportamento infantil

Estudo aponta relação entre estresse parental e decisões sobre telas

Decisões de entregar um tablet ou celular aos filhos em momentos de tensão parecem refletir mais o nível de estresse dos pais do que o comportamento imediato das crianças, segundo pesquisa recente conduzida por pesquisadores da Florida International University. A investigação, apresentada por Enid A. Moreira (doutoranda), com coautores Daniel M. Bagner e Shayl Griffith, analisou como diferentes tipos de estresse parental influenciam as estratégias adotadas para administrar o uso de mídias pelos filhos.

O estudo de 2025 aplicou uma pesquisa on-line nacional com 822 pais de crianças entre 4 e 8 anos. Os participantes avaliaram seus níveis de estresse parental, relataram problemas de comportamento das crianças e descreveram práticas de controle do tempo de tela, incluindo a frequência com que estabeleciam limites e a frequência com que recorriam a telas para controlar ou evitar comportamentos indesejados.

Os pesquisadores distinguiram três formas de estresse parental: estresse por dificuldades e experiências pessoais do cuidador; estresse relacionado à relação com o filho; e estresse provocado pelo comportamento difícil ou pelo temperamento da criança. Entre os achados, pais com níveis elevados de estresse decorrentes de dificuldades pessoais tenderam a impor menos limites ao uso de telas, independentemente do comportamento infantil. Já pais que se sentiam estressados pelo temperamento ou comportamento desafiador dos filhos tinham maior probabilidade de entregar um dispositivo para controlar ou evitar esse comportamento. Por sua vez, o estresse relacionado à qualidade da relação com a criança não aumentou a probabilidade de entrega de telas.

Os resultados permaneceram consistentes mesmo após controle pelo comportamento real da criança, o que sugere que a percepção do adulto sobre a dificuldade de gerir a situação é um fator determinante nas decisões sobre o uso de mídias em momentos de estresse.

O estudo insere-se em um contexto em que as telas já fazem parte da rotina infantil. Nos Estados Unidos, quase todas as crianças usam ou assistem a conteúdos em telas diariamente, e 42% das crianças de 2 a 4 anos têm um tablet próprio. A American Academy of Pediatrics recomenda que crianças de 18 meses a 2 anos não usem mídias sozinhas e que o tempo de tela de crianças de 2 a 5 anos seja inferior a uma hora por dia, orientações que, segundo o texto, não são seguidas pela maioria das famílias.

Os autores sugerem que, em períodos de retomada de rotina como o início do ano letivo, famílias podem se beneficiar de um plano familiar para o uso de mídias — com horários ou espaços sem telas, proibição durante refeições ou antes de dormir, limitação de aplicativos e participação das crianças na elaboração das regras — para reduzir decisões tomadas em situações de estresse.

Fonte: G1 – Colocar telas na frente dos filhos tem mais a ver com o estresse dos pais do que com outros fatores

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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