Vacas leiteiras têm uma pausa de dois meses na produção de leite ao final de cada ciclo de ordenha. A prática consiste em encerrar a ordenha após cerca de 10 meses e conceder 60 dias de descanso ao animal, período conhecido na atividade como “período seco”.
De acordo com Rui Verneque, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, a interrupção é importante para o repouso do úbere — a glândula mamária — e para que a vaca direcione sua energia para a recuperação e a manutenção da própria saúde. O pesquisador afirma que a pausa deve ser realizada mesmo que ainda exista leite no animal, porque isso contribui para que ele volte à ordenha com melhor produtividade e maior expectativa de vida.
O descanso normalmente coincide com o final da gestação, que dura cerca de 9 meses e 10 dias. Quando a vaca está prenhe, o período seco também favorece o aporte de energia necessário ao crescimento do bezerro que vai nascer. Além disso, Verneque recomenda reservar outros 60 dias de descanso uterino após o parto, evitando que a vaca seja coberta nesse intervalo.
Biologicamente, as fêmeas já conseguem engravidar por volta de 20 dias após a parição, mas o intervalo recomendado permite a recuperação do tecido uterino e contribui para o manejo reprodutivo que possibilita ao produtor obter uma cria por ano por animal.
Em resumo, a pausa anual de dois meses na ordenha é uma prática de manejo indicada para preservar o estado sanitário do úbere, direcionar energia para a saúde e o desenvolvimento fetal quando a vaca está prenhe, e para otimizar a produtividade e longevidade do rebanho, conforme orientação técnica da Embrapa Gado de Leite.
Fonte: G1


