O varejo é um dos pilares da economia brasileira: no 1º semestre de 2026, dos R$ 6,7 trilhões em valores correntes que compuseram o PIB, o setor correspondeu a 9,4%, aproximadamente R$ 630 bilhões. Em comparação, o PIB do varejo supera em 44% o da agropecuária e equivale a 83% da indústria de transformação.
Apesar da relevância, o segmento mostra perda de fôlego. O comércio varejista ampliado registrou crescimento nominal anual de cerca de 3,5% em julho/2024; 1,8% em julho/2025; e, em julho/2026, foi de apenas 1,2%.
O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), por meio do Índice Antecedentes de Vendas (IAV), informou que as maiores redes do país acumularam 20 meses de vendas totais ajustadas pelo IPCA (vendas reais) com desempenho negativo. Em julho, o indicador apontou retração de 2,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior, e as projeções para os meses seguintes permanecem negativas.
Entre as causas apontadas para o cenário adverso estão juros elevadíssimos, endividamento e inadimplência de pessoas físicas e empresas, além de recursos retidos em sites de apostas que deixaram de circular no varejo e em serviços. Outra causa destacada foi a medida provisória 1.357, de 12 de maio de 2026, que zerou o Imposto de Importação nas compras internacionais por plataformas eletrônicas (cross border) até U$ 50,00 — norma que foi convertida na Lei 15.502, de 10 de setembro de 2026, mantendo a alíquota de zero por cento.
A isenção fiscal acelerou o volume de remessas ao país. Segundo os números citados, em outubro/2024 houve 13,5 milhões de pacotes por mês; em 2025, a média ficou próxima a 14 milhões; já em maio/26, com a edição da MP 1.357, o fluxo subiu para 20 milhões por mês, alcançando média de 28 milhões de pacotes em junho e julho de 2026.
O aumento das importações por remessa tem impacto direto sobre o mercado interno. O comércio varejista registrou redução de postos formais: de 7.171.382 empregados em dezembro/2025 para 7.119.607 em julho/26, totalizando 51.775 vagas eliminadas. O segmento de artigos do vestuário e acessórios foi o mais afetado, com queda de 31.069 empregos.
O texto da Lei 15.502/26 prevê que o Ministério da Fazenda realize a primeira avaliação dos efeitos econômicos da norma em até três meses, prazo que vence em 10 de dezembro de 2026. Enquanto essa análise não é concluída, o setor varejista busca manter a operação em um mercado mais competitivo e adverso.
Por Jorge Gonçalves Filho
Presidente do IDV – Instituto para Desenvolvimento do Varejo
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Fonte: Paranaibamais


