Pedido de sigilo e argumento da defesa
Virgínia Fonseca pediu ao Judiciário que os contratos firmados com a plataforma de apostas Blaze sejam protegidos por sigilo. A defesa da influenciadora sustenta que os documentos contêm dados comerciais, financeiros e pessoais que não devem ser divulgados publicamente.
Contexto da ação do Ministério Público
O pedido de sigilo surge no âmbito de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra Virgínia e a Foggo Entertainment Ltda., operadora da Blaze. A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor acusa as partes de veicular publicidade enganosa e solicita uma indenização coletiva mínima de R$ 120 milhões para reparar danos morais ao público supostamente influenciado pelas divulgações.
Segundo a apuração do MPDFT, a Blaze estruturaria campanhas que transmitem a falsa impressão de que obter ganhos com apostas é fácil ou praticamente garantido, além de utilizar recursos que diminuiriam a percepção dos riscos financeiros pelos apostadores. A promotoria cita estimativa de que a Blaze teria cerca de R$ 600 milhões em receita bruta anual de jogos.
Publicação citada pela promotoria
A ação refere-se a uma publicação de Virgínia durante a Copa do Mundo de 2026, quando ela apareceu nos stories do Instagram apostando na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina — partida que terminou 3 a 2 para os argentinos. A promotoria afirma que o conteúdo dava a impressão de espontaneidade e não indicava de forma clara tratar-se de publicidade. Virgínia reúne mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais.
Ainda de acordo com a investigação, a influenciadora teria recebido 30% sobre o prejuízo dos apostadores atraídos por suas publicações, modelo de remuneração que o MPDFT aponta como incentivo ao aumento das perdas dos consumidores.
Decisão judicial sobre publicações e obrigações
O magistrado também exigiu que toda comunicação publicitária da influenciadora seja claramente identificada como conteúdo comercial, inclusive em stories e postagens pessoais, e que condições de bônus e promoções sejam apresentadas com destaque proporcional. O descumprimento pode acarretar multa de R$ 100 mil por publicação irregular, limitada a R$ 2 milhões. Pedidos para suspender cláusulas contratuais ou proibir menções genéricas a eventos esportivos específicos não foram acolhidos nesta fase.
Relevância dos contratos para o processo
Se os contratos forem mantidos em sigilo, a sociedade pode ficar sem acesso aos valores exatos pagos pela Blaze à influenciadora, informação considerada relevante pelo MPDFT para dimensionar o alcance e a natureza da campanha publicitária apontada como enganosa. A decisão sobre o pedido de sigilo ainda depende de análise judicial.
A informação sobre o pedido de sigilo foi divulgada na coluna Ancelmo Gois. Para mais detalhes, consulte a publicação original no Portal Paranaíba Mais: Paranaíba Mais.


